A Minhoca
Conta uma
velha lenda que há muitos e muitos anos, em uma vasta planície do Quênia,
próximo ao coração da África, os animais se reuniram em uma clareira junto ao
Rio Impumelelo, para descobrirem qual
deles era o mais importante dentre todos. Era uma escolha difícil. O mais
importante não seria apenas o mais forte, o mais formoso ou o mais esperto, mas
aquele que, por sua tarefa natural, fosse imprescindível para todos os outros,
e que sobre os seus ombros e o desempenho de seu trabalho pesasse o futuro de
toda a bicharada.
Assim começou
o grande concurso. Os animais mais formosos foram logo tomando à frente dos
outros, para desfilarem diante do júri. Da mesma forma os mais robustos abriram
espaços entre a platéia e se colocaram em posição de destaque. Os pequenos e
feios, coitados, foram tomando os lugares de trás. No mundo animal, quando se
trata de força e coragem, vem-nos logo à mente o leão. O búfalo, o rinoceronte
e o elefante também são muito fortes. Se, no entanto, falamos de beleza, a águia
é a rainha; a girafa é muito elegante; a gazela é distintamente formosa e não é
à toa que os homens costumam chamar as mulheres excepcionalmente belas de
panteras. Em inteligência, a abelha é uma matemática quando constrói seus
favos; o joão-de-barro é engenheiro construtor e o papagaio imita até a voz do
homem!