A CARTA DE UM SOLDADO
«Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado
é coberto.
Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não imputa a maldade»
(Salmo 32:1-2).
ANTES que estas linhas te cheguem às mãos, a
morte me terá levado deste mundo. Ontem nós tivemos um combate mortal. Fui
atingido com uma bala no baixo-ventre e outra no peito. Perdi muito sangue e
com dificuldade seguro a pena que deve transmitir-te a minha última despedida.
O cirurgião declara que não me restam mais do que três horas de vida. Os meus
pressentimentos não me enganaram.
Durante a viagem que fiz ao avançar para a
linha do combate, comecei a ler a Bíblia para passar o tempo, o único livro que
tinha comigo. Agradou ao Pai de toda a misericórdia atrair a minha alma a Si
pela Sua graça e iluminar a minha inteligência pela luz do Seu Espírito.
Uma noite, depois de ter suplicado a Deus com
fervor que me conduzisse no caminho da paz, travei conhecimento duma maneira
providencial, com um oficial piedoso e dirigi-me a ele para ser instruído nas
coisas da salvação. Ele falou-me do inefável amor de Deus que enviou Seu Filho
a este mundo para morrer sobre a cruz e verter o Seu precioso sangue pelos
pobres pecadores. Fez-me compreender o mistério da Redenção e a necessidade de
um novo nascimento para entrar no Reino de Deus, a alegria de servir o Senhor
de todo o nosso coração com fidelidade. O desejo mais ardente do meu coração é
ver-te entrar, como eu, neste caminho.