A mulher samaritana, Coca-Cola e Jesus.
Às vezes, a gente ouve certas coisas que não aceita, mas não sabe bem o porquê.
Só depois de algum tempo entende. Não foi por mera antipatia que aquela
mensagem não desceu bem. Recordo-me quando ouvi pela primeira vez o paralelo
entre Jesus e a Coca-Cola. O pregador, inflamado de zelo e paixão missionária,
afirmava que numa viagem ao interior do Haiti, sob uma temperatura de mais de
40 graus, sentiu-se aliviado quando parou num quiosque miserável feito de palha
de coqueiros e pôde comprar uma garrafa do mais famoso refrigerante do mundo.
Devidamente refeito depois de beber sua Coca geladinha, perguntou ao dono da
venda se já ouvira falar de Jesus. Ele não sabia de quem se tratava. E o nosso
palestrante fez sua analogia, tentando dar um choque na complacência da igreja
ocidental: “A Coca-Cola conseguiu alcançar o mundo inteiro em menos de um
século e a igreja cristã ainda não cumpriu a ordem da Grande Comissão em mais
de 20 séculos!”. Depois daquela primeira exortação, já devo ter escutado essa
mesma comparação uma dúzia de vezes em diversas conferências missionárias.
Verdade ou tolice? Pior. Estou certo que essas ilustrações não são meros
simplismos, nascem de grandes erros teológicos (ou ideológicos?).