A Modernidade e a Teologia: Questões Acerca da Revelação e da
Razão
Não refuto os ideais, apenas
calço luvas diante deles... Nitimur in
vetitum: neste signo vencerá um dia minha filosofia, pois até agora
o que se proibiu sempre, por princípio, foi somente a verdade.
(F.W. Nietzsche (2000b: Prólogo, §3)
Considerações
Preliminares
A
modernidade, segundo afirma alguns teóricos, data da chegada do europeu na
América. Isso se formos olhar do ponto de vista histórico, ao passo que para
alguns teóricos será inaugurada, dentro das ciências naturais, por Galileu e
sua teoria heliocêntrica, onde a Terra giraria em torno do sol. Em
contrapartida, do ponto de vista filosófico, ela é inaugurada pelo racionalismo
cartesiano. Como se percebe são vários marcos, antes mesmo de começar este
texto gostaria de me limitar ao ponto de vista filosófico.
Segundo Vergote (2002), a
palavra será utilizada, em um primeiro momento, já no século XII, com o
significado de recente (do latim modernus), ou seja, ela
exprimiria algo que chegaria como uma descoberta. Logo em seguida, já no século
XVI, será introduzida na língua francesa com uma utilização diferenciada, pero
no mucho; neste momento ela passa a significar “progresso do
saber”, além de uma ruptura com a tradição, no entanto, exprimindo um
progressismo otimista.
Dentro das ciências naturais
a palavra “moderno” surgirá com os experimentos de Francis Bacon, século XVI
(contemporâneo de Galileu Galilei), onde:
(...) concebe uma nova
filosofia do saber: a que deve substituir a lógica aristotélica pelo método de
indução sistemática; ele propõe assim as bases lógicas da ciência experimental.
(VERGOTE, 2002: p.40)
Como se percebe, a noção de
modernidade trará incutida em seu gérmen uma crítica à Grécia Clássica, e aos
preceitos fundadores dos valores ocidentais. Do ponto de vista teológico, é
neste momento que começa-se a questionar uma ética que tinha sido utilizada
pelos teóricos do cristianismo já em sua fundação (seria a metafísica
aristotélica). Os teóricos saem do campo da lógica aristotélica para inaugurar
uma filosofia experimental, onde o homem e não o divino ditariam as regras e
regeriam os valores.