A
esperança cristã
>> Tese defendida em 28/04/1998 no ISTARJ, filiado à PUC-RJ
1. A DESCOBERTA PROGRESSIVA DA ESPERANÇA
1.1. A criação e a esperança do Reino (o fim já está no começo).
1.2. A progressiva revelação da esperança no AT.
1.3. O ser humano como ser de esperança.
2. JESUS, REALIZAÇÃO DA NOSSA ESPERANÇA
2.1. Kénosis: caminho de Cristo para realização da esperança.
2.2. Parusia: realização plena de toda esperança.
2.3. Espírito Santo: garantia da nossa esperança.
3. IGREJA, SERVA E ANUNCIADORA DA ESPERANÇA
3.1. O anúncio (kérygma) da esperança.
3.2. O testemunho da esperança (caridade).
3.3. A celebração da esperança (dimensão sacramental).
Introdução
Partindo do amor do Deus
criador, em cuja perspectiva é possível compreender seu relacionamento com o
não-existente, notamos que Ele não seria capaz de deixar nada ao nada.
Primariamente, a esperança fundamenta-se nas promessas desse Deus criador. A
lembrança da intervenção histórica de Deus alimenta a esperança universal. A
esperança do Reino de Deus está unida à esperança da salvação, da felicidade e
da vida. Desde o início, Deus se faz presente na caminhada do povo, cuja
esperança se encontra n’Ele. A dinâmica da esperança começa quando Deus se
revela como alguém que promete a terra e a prole numerosa. Além desses dois
elementos, a esperança vétero-testamentária inclui ainda a intimidade com Deus.
A partir da libertação do
Egito percebe-se uma ampliação da esperança de Israel. Os profetas, por sua
vez, são a motivação de que a esperança de Israel não será destruída. Eles
foram os responsáveis por alimentar a esperança na restauração de Israel,
anunciando-a na forma de uma nova aliança, e por pregar contra as falsas
esperanças: força, inheiro, poder etc. Pouco a pouco, vamos percebendo que é a
esperança que dá coragem a esse povo para seguir na sua caminhada. Sem a
esperança, a vida perde totalmente o seu sentido. O homem não se contenta com o
mundo, já que foi feito para algo maior; por isso, inconformado com a realidade
que não o satisfaz plenamente, encontra em Deus a razão da sua esperança. Para
o cristão, essa esperança consiste na posse dos bens eternos.
Com a vinda de Jesus ao mundo,
concretizam-se as nossas esperanças, pois o prometido e esperado torna-se
visível. Cristo, o novo Adão, carrega sobre si os pecados dos homens e Deus
exalta sua humilhação. Jesus vem trazer ao mundo uma mensagem de misericórdia,
de perdão e de salvação, mudando o foco do julgamento da lei para a graça de
Deus. Seus milagres são manifestações da salvação que chamam à fé num Deus que
deseja a plena felicidade do homem. Graças à Sua ressurreição, temos a garantia
de que também ressuscitaremos para a vida eterna após nosso encontro pessoal
com Ele na morte. Cristo prometeu retornar no fim da história; contudo, os
primeiros cristãos esperavam uma volta imediata. Antes de regressar ao Pai,
Jesus promete o auxílio do Paráclito, o Espírito Santo. Ele nos foi confiado
como garantia da glória, nos acompanha em nossa caminhada e nos torna ricos em
esperança.
Os apóstolos, testemunhas da
ressurreição, têm a missão de anunciar essa boa-nova, segundo a qual todos os
homens são chamados à salvação. A meta da pregação cristã é, justamente,
comunicar a vitória da vida sobre a morte. O tempo da Igreja é o tempo da pregação
e do testemunho. Este se manifesta na caridade que, juntamente com a fé
fortalecem a esperança. A eficácia do testemunho eclesial é garantida pela
presença do Cristo ressuscitado que, através do Espírito, acompanha Sua Igreja.
Enquanto a esperança antevê o futuro e o Reino, já presentes em nosso meio, ela
tem motivos para celebrar e comemorar. A celebração tem como ponto de partida
as experiências humanas; contudo, trata da eternidade e visa o agradecimento a
Deus e o fortalecimento dos cristãos. A festa surge, então, como manifestação
da alegria de saber que, na eternidade, acontecerá a plena realização de tudo
aquilo de bom e verdadeiro que aqui sentimos.