A ciência da fé
“Porque os atributos invisíveis de
Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente
se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas
que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis...” (Romanos
1:20).
O
debate evolução-criação é freqüentemente pintado como sendo “ciência versus
fé”. Isto é enganoso, pois presume que a macroevolução seja um fato científico,
e presume que a fé não tem base em evidência concreta. É uma afirmação
preconceituosa, pois eleva a ciência e rebaixa a fé por modos que evitam a
investigação honesta. Queremos considerar a natureza religiosa da evolução, a
natureza da fé bíblica e tentar determinar se a fé é razoável ou não.
Argumentamos que o assunto evolução-criação não é sobre ciência versus fé.
Antes, qualquer crença sobre o modo como as coisas eram no passado exige fé de
alguma forma. Queremos saber como a fé desempenha um papel tanto na evolução
como na criação.
A natureza
religiosa da evolução
No sentido mais amplo, uma religião é algo que faz surgir devoção,
zelo e dedicação de seus adeptos. Ela geralmente envolve um código de ética e
filosofia. É uma visão do mundo, uma tendência através da qual se vê toda a
vida.
A
evolução é, realmente, o principal ocupante da religião secular conhecida como
“humanismo”, uma filosofia que não deve ser confundida com “humanitarianismo”
(ser bom para as pessoas, etc.). Humanismo é um sistema de crença que é
desprovido de Deus, considerando os humanos como objetos puramente naturais. É
um ponto de vista religioso porque ressalta zelosamente o progresso humano e os
padrões éticos e morais através de meios naturais. Seu deus é a própria
natureza (ou mesmo a humanidade). Compare isto com o que se pode ler em Romanos
1:18-32. Observe como aqueles desta passagem põem Deus fora de suas mentes, e
então se voltam para servir (adorar) a criatura antes que o Criador. Isto se
torna a base para eles fazerem tudo o que queiram fazer.
A
tendência humanista é vista em Humanist Manifestos I e II. Estes
documentos apresentam, em essência, o credo humanista. Ela nega explicitamente
Deus, argumentando que a crença no sobrenatural é “ou insignificante ou
irrelevante para a questão da sobrevivência ou realização da raça humana. Como
não-teístas, começamos com humanos e não com Deus, com a natureza e não a
divindade. A natureza pode, na verdade, ser mais larga e profunda do que agora
conhecemos; quaisquer novas descobertas, contudo, apenas aumentarão nosso
conhecimento do natural” (Kurtz 16). Observe como, começando sem Deus, cada
explicação para tudo é naturalista. Não têm espaço para Deus em seu pensamento.
Contudo, é a partir desta visão do mundo que eles estabelecem seus próprios
padrões éticos e morais pelos quais pensam que todos deveriam viver.
Se
não há nada sobrenatural que seja significativo ou relevante, então eles
precisam de algum modo para explicar como os humanos e o universo vieram a
existir. Entra a teoria da evolução. Ele fornece um “meio intelectual” pelo
qual podem responder a tais questões, rejeitar a crença em Deus e estabelecer
seu próprio sistema ético. Se somos meramente o resultado do acaso, processos
naturais, então devemos ter capacidade e liberdade para buscar qualquer coisa e
tudo que nos faz “felizes”. Isto é tudo o que o humanismo é, e a evolução dá o
mecanismo para ser capaz de pensar deste modo.
Os
evolucionistas geralmente argumentam que há necessidade de separação entre
religião e ciência. Contudo, eles parecem ansiosos por usar sua ciência “como
uma base para pronunciamentos sobre religião. A literatura do Darwinismo é
cheia de conclusões anti-teístas, tais como que o universo não foi projetado e
não tem propósito, e que nós humanos somos o produto de processos naturais cegos
que não se preocupam nada conosco. E mais ainda, estas afirmações não são
apresentadas como opiniões pessoais mas como implicações lógicas da ciência
evolucionista” (Johnson 8-9). Eis porque há um tal debate sobre o relato da
criação em Gênesis. O que Gênesis descreve contradiz claramente a agenda
evolucionista.
Humanistas
e evolucionistas são religiosos no seu zelo em evangelizar o mundo, “insistindo
que mesmo não-cientistas aceitam a verdade de sua teoria como uma questão de
obrigação moral” (Johnson 9). Então, ainda que não exista Deus no pensamento
evolucionista e humanista, seus devotos seguidores ainda têm uma filosofia
religiosa básica que afeta suas vidas tanto quanto as de qualquer um que creia
em Deus. Assim, a questão não é realmente se crêem ou não em Deus, mas em qual
“deus” eles confiam.