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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 12 - A ORIGEM DOS "ANABATISTAS"

A ORIGEM DOS "ANABATISTAS"

Como vimos no final do capítulo dois, com a desfraternização dos cristãos entre os anos de 225 a 253 A.D., surgiu dois grandes blocos de cristãos. O bloco dos anabatistas e o bloco das igrejas erradas. Neste capítulo trataremos especificamente com o futuro que tomou as igrejas fiéis cognominadas de "anabatistas".

QUEM FORAM OS ANABATISTAS?
Nos livros de história e em muitas enciclopédias encontraremos algumas notas sobre quem foram os anabatistas. Em alguns livros são chamados de "dissidentes", e em outros de "seita de heréticos". Há escritores que não querendo se comprometer com sua maioria de leitores católicos ou protestantes, chama-os de "fanáticos religiosos".
Observando estas poucas entre muitas referencias erradas sobre eles, podemos analisar cuidadosamente. Eram dissidentes? Não. Dissidente é uma pessoa que se separa de outro por algum motivo. Eles não se separaram de ninguém. Apenas não concordavam com heresias dentro da igreja. Se uma igreja tem 20 membros. Quinze resolve mudar a fé. Cinco permanecem fiéis. Quem dissidiu? Os quinze que estão no erro ou os cinco que permaneceram fiéis? É evidente que dissidente é aquele que saiu daquilo que está certo e firmado.
Chamá-los de um ajuntamento de heréticos é o mesmo que chamar os apóstolos de heréticos. Não foram os anabatistas que mudaram de fé. Nunca foi a intenção de um anabatista mudar aquilo que Deus ordenou. Heréticos foram os pastores e membros das igrejas erradas, os mesmos que posteriormente foram conhecidos como católicos. Os anabatistas não eram uma facção de cristãos. Eles eram os verdadeiros cristãos. Portanto, seita foi a igreja - Católica - que surgiu tendo como membros indivíduos e pastores excluídos por motivos biblicamente corretos.
Também não eram fanáticos religiosos. Seguir a Cristo como manda as escrituras não é ser fanático, é ser discípulo verdadeiro. Discordar de heresias não é fanatismo, é zelo pela palavra de Deus. Seria os apóstolos fanáticos? Zaqueu foi um fanático por querer fazer a vontade de Deus? Paulo foi um fanático quando condenou a idolatria? Pedro foi um fanático quando discordou da salvação pelas obras? De forma alguma. A maior prova de que os anabatistas não eram fanáticos está no exemplo dos primeiros cristãos mencionados no livro de Atos.
Podemos afirmar com certeza que os anabatistas foram os verdadeiros seguidores de Jesus entre os anos de 225 até os anos de 1600. Homens que amavam servir a Cristo. Eram cristãos que não concordavam com o erro grotesco de ver pessoas acreditando que o batismo ajudava na salvação; Cristãos que não aceitavam em ver um bispo monárquico querendo mandar no rebanho de Deus. Igrejas que tiveram a coragem de excluir do meio cristão original as igrejas heréticas. Foram eles os autênticos sucessores dos apóstolos na obediência a Jesus e a sua Palavra.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 11 - A ORIGEM DO APELIDO "CRISTÃO"

A ORIGEM DO APELIDO "CRISTÃO"

QUE SIGNIFICA A PALAVRA "CRISTÃO"
O significado para a palavra cristão hoje é bem diferente do significado usado nas escrituras. Hoje, qualquer um que segue uma religião denominada "cristã", acha se no direito de dizer que é um cristão. Alguns são tão depravados em sua forma de viver que de maneira nenhuma fazem jus a essa palavra. Outros são tão errados biblicamente e mesmo assim insistem em achar-se cristãos. E aí está o problema: O próprio indivíduo achar-se um cristão quando não o é.
A palavra cristão como é usada na bíblia é um apelido. E este apelido referia-se aos crentes que andavam de uma forma digna. A conduta (dentro da família e da sociedade), a transformação interior e exterior, sucediam a profissão de fé destes crentes. Tamanha era a transformação que se tornavam impossíveis de não serem notados. Então a própria sociedade, testemunhando esta transformação, chamava-os de "cristãos". Assim, ser apelidado de cristão seria uma grande honra a qualquer crente.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 10 - A QUEDA DO APELIDO ANABATISTA E O SURGIMENTO DO APELIDO BATISTA

A QUEDA DO APELIDO ANABATISTA E O SURGIMENTO DO APELIDO BATISTA

Na metade do século XVI, e no princípio do século XVII, há uma súbita queda do apelido "anabatista" e o aparecimento rápido do apelido "batista" em toda a Europa. Muitos procuram ligar a fundação das igrejas batistas na pessoa de John Smith (morto em 1612). Grandes historiadores como Orchard e Christian já fizeram o favor de desmentir essa teoria. Qualquer estudante da história das religiões, se agir com sinceridade, descobrirá que os batistas são o fim dos anabatistas. Os batistas são a junção de diversos grupos anabatistas em torno desse nome com a queda do prefixo "ana". E isso não aconteceu de repente ou de uma só vez. Foram necessário quase um século para que a junção dos anabatistas ao nome batista fosse possível. E só se tornou possível devido ao laborioso trabalho de resgate de pastores itinerantes que, levantados por Deus, uniram os diversos grupos ao nome batista e também, ao nome "menonita". 

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 9 - OS ANABATISTAS DO SÉCULO XVI

OS ANABATISTAS DO SÉCULO XVI

Tenho visto muitos historiadores da Igreja tentando responder erroneamente a questão de onde vieram os anabatistas do século XVI. A resposta correta é simples: Não vieram, já estavam. O movimento anabatista do século XVI é uma continuação dos movimentos anabatistas que atravessaram toda a Idade Média. Os costumes são iguais; a doutrina é a mesma; os membros tinham a mesma característica diante da sociedade. O fato de sabermos mais sobre os anabatistas do século XVI do que os anabatistas da Idade Média, não se deve ao fato de estarmos incertos sobre a existência dos últimos. Deve-se ao fato de que agora já tinham inventado a imprensa. E também, com a divisão do catolicismo no advento da Reforma, teríamos informações oficiais de dois lados, o catolicismo e o protestantismo. Além do que o século XVI está bem mais próximo de nossa época que o século IV. Pense bem: O que você sabe sobre o papa Silvestre do século IV? Quase nada. Que tal verificar na sua memória o que você sabe sobre Lutero, Cabral, e outros que viveram no século XVI? Tenho certeza que as informações sobre os últimos são bem mais amplas. Porque seria diferentes com os anabatistas? 

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 8 - IDENTIFICANDO OS ANABATISTAS DO SÉCULO XII a XV

IDENTIFICANDO OS ANABATISTAS DO SÉCULO XII a XV

Os anabatistas dos séculos XII ao XV são a continuação ou os descendentes diretos dos anabatistas primitivos. A única coisa que vai mudar é o sobrenome do apelido. Vimos que na primeira geração de anabatistas havia quatro grandes correntes, que ia desde o Oriente Médio até a Europa. A partir do século XII, a mais forte destas correntes (os paulicianos) fundiu sua identidade com os irmãos europeus que serão estudados neste capítulo. 
Dois grandes grupos de anabatistas apareceram neste período. Esse número pode ser bem maior, mas me falta conhecimento para integrá-los aos demais. Não é nossa idéia trabalhar com hipóteses. Trabalhamos com declarações e documentos de estudiosos no assunto de história das igrejas. Por isso consideraremos apenas dois grupos como autênticos anabatistas. São eles: Os albingenses e os Valdenses. A história de amor pela palavra de Deus, e a perseguição que sofreram decorrente deste amor, é uma das histórias mais lindas e tristes que já li. 

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 7 - OS BATISTAS

OS BATISTAS

A história dos batistas coincide com o final da história anabatista do século XVI. Na verdade é uma clara continuação das igrejas fiéis desde os tempos apostólicos até hoje. Escritores há, que movidos de inveja, e até mesmo de uma certa ignorância do caso, e outros, batistas, que não se importam com a origem de sua denominação, desejam dar aos batistas um começo no século XVII. Para tanto distorcem a história de algumas igrejas batistas, principalmente da Inglaterra, usando ora John Smith, ora Tomas Hellys como fundadores do movimento. Sinto em informar aos que concordam com essa idEia que estão errados ou mal intencionados a respeito da origem e história dos batistas. 

A ORIGEM DOS BATISTAS 
Podíamos simplificar e dizer que os batistas se originaram com os apóstolos. E é a pura verdade, pois, os apóstolos foram batistas, ou seja, batizavam. Mas os batistas tem sua origem nas igrejas antes denominadas de "anabatistas". É uma continuação do apelido. A única coisa que muda é o prefixo "ana", e este não caiu de uma hora para outra, foi um processo que levou quase cem anos para acontecer. A prova disso é a declaração do bispo Hosius, no concílio de Trento que chamou os anabatistas de "batistas", já em 1554. E nos Estados Unidos, a Igreja Anabatista de Newport foi fundada em 1639, e dez anos depois mudaria seu nome para igreja batista de Newport. Portanto, são 85 anos de transição de um nome para o outro. 
O fundador da Igreja Batista foi Jesus Cristo. Continuada pelos apóstolos ela teve uma grande ruptura em 225, quando as igrejas infiéis precisaram ser excluídas - que eram os católicos romanos e ortodoxos. Outra ruptura veio em 313, quando muitas igrejas fiéis aceitaram se unir com o Estado. Foram os batistas massacrados pelas igrejas infiéis durante treze séculos, tendo como apelido mais comum o epíteto de "anabatistas". No século XVII ela tem novo apelido, que é o de batista. Continuou sendo perseguida e só teve paz no século XVIII. Foi a partir dessa época que ela realmente conseguiu uma certa liberdade e cresceu, chegando hoje a milhões de adeptos espalhados em mais de duzentos países. Foi a primeira denominação a lançar um missionário na era moderna com Willyan Carey. Foi a primeira denominação a requerer liberdade religiosa a todas as denominações. É e continuará sendo uma igreja que segue princípios puramente bíblicos, os mesmos princípios dos seus antepassados anabatistas, os quais herdaram os princípios das igrejas apostólicas. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 5 - A ORIGEM DO APELIDO "CRISTÃO" (1)

A ORIGEM DO APELIDO "CRISTÃO"  (1)

O QUE SIGNIFICA A PALAVRA "CRISTÃO"
O significado para a palavra cristão hoje é bem diferente do significado usado nas escrituras. Hoje, qualquer um que segue uma religião denominada "cristã", acha se no direito de dizer que é um cristão. Alguns são tão depravados em sua forma de viver que de maneira nenhuma fazem jus a essa palavra. Outros são tão errados biblicamente e mesmo assim insistem em achar-se cristãos. E aí está o problema: O próprio indivíduo achar-se um cristão quando não o é.
A palavra cristão como é usada na bíblia é um apelido. E este apelido referia-se aos crentes que andavam de uma forma digna. A conduta (dentro da família e da sociedade), a transformação interior e exterior, sucediam a profissão de fé destes crentes. Tamanha era a transformação que se tornavam impossíveis de não serem notados. Então a própria sociedade, testemunhando esta transformação, chamava-os de "cristãos". Assim, ser apelidado de cristão seria uma grande honra a qualquer crente.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 4 - FUNDAÇÃO DO CRISTIANISMO

 FUNDAÇÃO DO CRISTIANISMO 

 CAP. 1-o.
CRISTIANISMO A PARTIR DO
VELHO MESSIANISMO DOS PROFETAS. 4251y015.
 
 16. Introdução. O cristianismo é basicamente um messianismo. Começa, pois o exame do cristianismo sob esta perspectiva.
 Ora o messianismo é um fenômeno sociológico muito complexo, ocorrido em diferentes partes do mundo, com nomes diferentes e direções várias, dificilmente previsíveis, mas não de todo fora de um sistema.
   Principia o messianismo, em qualquer povo em que ele aconteça,   com a crença em um Messias, e com a busca, por intermédio deste, de um resultado coletivo.
 O messianismo judaico originário foi sobretudo político, no sentido de que um Messias restabeleceria o reino de Israel.
 Enquanto este restabelecimento não se efetivava, um leque de reinterpretações se foi criando, desde as formas simplesmente políticas, até as espirituais, como a dos essênios e a dos cristãos.
 Portanto, o objetivo final do messianismo cristão seria um Reino de Deus. Os que conseguem pertencer ao Reino de Deus, são considerados salvos, e os demais perdidos para o Inferno eterno.
 Tudo finalmente se completa por uma geral escatologia, denominada Fim do mundo.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 3 - HISTÓRIA DO CRISTIANISMO RESUMIDA

História do Cristianismo RESUMIDA

O cristianismo é uma das chamadas grandes religiões. Tem aproximadamente 1,9 bilhão de seguidores em todo o mundo, incluindo católicos, ortodoxos e protestantes. Cristianismo        vem da palavra Cristo, que significa messias, pessoa consagrada, ungida.  Do hebraico mashiah (o salvador) foi traduzida para o grego como khristos e para o latim como christus.

A doutrina do cristianismo baseia-se na crença de que todo o ser humano é eterno, a exemplo de Cristo, que ressuscitou após sua morte. A fé cristã ensina que a vida presente é uma caminhada e que a morte é uma passagem para uma vida eterna e feliz para todos os que seguirem os ensinamentos de Cristo.Os ensinamentos estão contidos exclusivamente na Bíblia, dividida entre o Antigo e o Novo Testamento.
O Antigo Testamento trata da lei judaica, ou Torah. Começa com relatos da criação e é todo permeado pela promessa de que Deus, revelado a Abraão, a Moisés e aos profetas enviaria à Terra seu próprio filho como Messias, o salvador.

O Novo Testamento contém os ensinamentos de Cristo, escritos por seus seguidores. Os principais são os quatro evangelhos ("mensagem", "boa nova"), escritas pelos apóstolos Mateus, Marcos, Lucas e João. Também inclui os Atos dos Apóstolos (cartas e ensinamentos que foram passados de boca em boca no início da era cristã, com destaque para as cartas de Paulo) e o Apocalipse.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 2 - FORMAÇÃO DO CRISTIANISMO

FORMAÇÃO DO CRISTIANISMO (1)

O CRISTIANISMO NUMA PERSPECTIVA DE TERCEIRO MUNDO -
Estou grato à redação do "Igreja Nova" por me dar a oportunidade de conversar com vocês de forma espontânea e solta acerca de uma pesquisa que me ocupa os dias e as horas nestes últimos dois anos. Efetivamente, com alguns colegas, (uns dez no total), nos metemos no projeto de escrever uma história do cristianismo como um todo, de Jesus aos nossos dias, na perspectiva do Terceiro Mundo, ou seja da América Latina, do Caribe, da Ásia, da África. Pois quase sempre essa história é contada através de estudos feitos no Primeiro Mundo. A quase totalidade dos especialistas em história do cristianismo vivem na Europa ou na América do Norte. E eles produzem coisas muito boas: basta lembrar o livro "O Jesus histórico"de Crossan (Imago, São Paulo, 1994).
Mesmo assim esses estudos têm a marca registrada do Primeiro Mundo, onde a pobreza é (ou parece ser) menos premente e os problemas menos urgentes. Por isso quisemos fazer ouvir uma outra voz, por fraca e desafinada que seja. Há intuições próprias, enfoques originais, temas por demais esquecidos. Por exemplo a tão discutida questão dos pobres. Enfim, caro(a) leitor(a), "você decide"se vale a pena comunicar aqui, em textos que lhe tomarão uns cinco minutos de leitura, algumas descobertas que estou fazendo ao longo desses anos de leituras e pesquisas. Espero que gostem e agradeço de antemão a atenção (e eventuais comentários).
A primeira clareza que se me fez durante minhas pesquisas, eu diria de forma insistente, é que o cristianismo é apenas uma das possibilidades de se tentar concretizar o sonho de Jesus, ao lado de outras que não se concretizaram ou que foram esmagadas . Em outras palavras: o cristianismo não pode pretender ser uma simples decorrência linear do movimento de Jesus.
Nele há um dinamismo dialético entre as intuições fundamentais de Jesus continuamente recuperadas e reatualizadas e do outro lado os inevitáveis desvios, esquecimentos, limites. Assim o cristianismo fica necessariamente circunscrito por uma história ao mesmo tempo universal e particular: universal na sua continuada procura de fidelidade à inspiração original, particular porque na realidade só se adaptou em profundidade a uma cultura: a do mundo mediterrâneo. Aí houve um verdadeiro esforço de "inculturação". A nenhuma outra cultura o cristianismo se adaptou na mesma medida e com o mesmo empenho.
Você já entendeu o que quero dizer: é preciso insistir no caráter fundamentalmente mediterrâneo -e portanto regional e limitado- do próprio cristianismo. Isso nos parece importante quando se pretende estudar a nossa tradição cristã na perspectiva do Terceiro Mundo. Eis o primeiro papo que quis "bater"com vocês.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

HISTÓRIA DO CRISTIANISMO 1 - A CRISE DO JUDEU - CRISTIANISMO

A CRISE DO JUDEU - CRISTIANISMO

    O período que medeia entre 40 e 70 é marcado para a comunidade cristã por dois fatos importantes. Por um lado, o momento em que o nacionalismo judeu se há de exasperar: os judeu-cristãos sentirão forte pressão da parte deste nacionalismo. A queda de Jerusalém em 70 desferirá golpe muito sério ao judaismo em geral e ao judeu-cristianismo em particular. Aliás durante o mesmo tempo, graças sobretudo ao impulso dado por São Paulo, o cristianismo ganha terreno nos meios pagãos, fato que leva progressivamente os cristãos de tais meios a se libertarem do contexto judeu, embora não sem crise difícil. No final chegaremos a uma reviravolta da situação. O judeu-cristianismo, triunfante em 49, se desmoronará; o cristianismo paulino começará seu destino triunfal. Na soleira desta época situa-se o concílio de Jerusalém que lhe fornece os elementos; e em seu termo, a queda de Jerusalém, que soluciona as questões.
    No ano de 49 assinalam-se dois episódios que depõem sobre a crise entre judeu-cristãos e pagano-cristãos, é o concilio de Jerusalém e o incidente de Antioquia. A relação cronológica dos dois acontecimentos está atualmente em discussão. A Epistola aos Gálatas, única a mencionar o incidente em Antioquia, o coloca em segundo lugar. As dificuldades que se opõem a esta sucessão de fatos nos parecem proceder de construções apriorísticas. Manter-nos-emos fiéis a esta ordem. Paulo voltara a Antioquia em 48, em companhia de Barnabé. Havia exposto os resultados obtidos junto aos pagãos na Ásia (14,27) e as novas perspectivas abertas. Os gentios convertidos não estavam obrigados as observâncias judaicas e em particular a circuncisão. Era o caso especifico de um asiata, Tito, que consigo trouxera.