LEVANDO
A SÉRIO A NOSSA MISSÃO
(Lucas 4.14-21)
O verso 14 deste
capítulo, chamado por alguns de "O Manifesto de Nazaré", inicia uma
das mais extraordinárias narrativas do evangelho. Jesus lê no culto da sinagoga
o trecho de Isaías 61.1,2 acrescido de Isaías 58.6. Com essa narrativa, única
nos Evangelhos Sinóticos, única, aliás, nos Evangelhos, enquanto Mateus e
Marcos dizem que Jesus anuncia o reino de Deus, Lucas mostra que o reino é a
realidade do próprio Jesus, o Messias, o Cristo, o Ungido de Deus.
BREVÍSSIMA ANÁLISE
Diferentes critérios poderão ser utilizados
no estudo deste tocante trecho. Há quem o veja por seu aspecto literário, seu
lado puramente poético, e, assim, perceba o paralelismo entre os seus versos,
onde "porquanto me ungiu para anunciar boas novas aos pobres" casa
com "restauração da vista aos cegos", e "enviou-me para
proclamar libertação aos cativos" é paralelo a "para por em liberdade
os oprimidos", tendo tudo seu ápice em "para proclamar o ano
aceitável do Senhor".
Há quem olhe o apelo político das fortes
expressões: "anunciar boas novas aos pobres", libertação aos
cativos", "restauração da vista aos cegos", "por em
liberdade os oprimidos", posição tão do agrado dos liberacionistas e dos
radicais de uma modo geral.
Podemos ver, no entanto, a extraordinária
lição de apostolado, o embasamento de um ministério que é repassado à Igreja de
Cristo. Analisemos, assim, a missão que nos é confiada.
Tudo começa com a unção porque nenhum
empreendimento em nome de Cristo subsiste sem a unção do Espírito: "O
Espírito do Senhor está sobre mim...", diz o texto (v. 18a).
O apóstolo Pedro, num culto de proclamação do
evangelho em casa de um oficial do exército romano, refere-se ao ministério de
Jesus Cristo afirmando, "como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito
Santo e com poder; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do
diabo, porque Deus era com ele" (At 10.28). Afirmação que nos conduz às
incisivas expressões que definem a plataforma a ser seguida por Jesus.
Verso 18
Recordemos a
palavra profética: "O Espírito do Senhor está sobre mim,
pelo que me ungiu
para evangelizar aos pobres.
Enviou-me para apregoar
Liberdade aos cativos,
Dar vista aos cegos,
por em liberdade os oprimidos..."
Há uma profunda carga emocional nestas
palavras: pobres, cativos, cegos, oprimidos. E Jesus as lê em Isaías 61.1,
capitulo considerado como o cerne da mensagem do profeta Isaías.
Jesus Se identificando com o fato profético
de Isaías 61, demonstra ser o portador do Espírito, o profeta escatológico,
proclamador das "boas novas", arauto do evangelho, e aquele que traz
libertação para os oprimidos, função eminentemente messiânica.
Os pobres, os cativos, os cegos e os
oprimidos são não apenas os desafortunados deste mundo, mas os que têm necessidade
especial de dependência de Deus, o que pode ser conferido em Lucas 1.53 e 6.20.
Um comentarista de Lucas diz, a esse
propósito, que "O cativeiro a que se refere [Lucas 4.18,19] é
evidentemente moral e espiritual. O pensamento não se move no plano de abrir
portas físicas, mas livrar os homens da invisível, porém terrivelmente real
prisão de suas almas". Na verdade, essas palavras de tão forte carga
emocional descrevem a falência espiritual à qual Jesus dá especial atenção.
Verso 19
A palavra profética completa dizendo, "e anunciar o ano aceitável do
Senhor". Este "ano aceitável do Senhor" a ser proclamado é a era
messiânica iniciada na pessoa e obra de Jesus Cristo.
Verso 21
Lucas registra que Jesus Cristo fez o seguinte comentário: "Hoje se
cumpriu esta escritura em vossos ouvidos".
Os contemporâneos de Jesus não duvidavam que
o reino de Deus viria algum dia, mas Jesus ensina que Deus está agindo agora,
no presente, na obra dEle mesmo. Com isso, Jesus é feito o centro da História.
O propósito divino é tudo colocar sob a
autoridade de Jesus Cristo, o Senhor da História, agora com a vinda do reino,
exaltado, glorificado; Jesus libertador de Quem Paulo, apóstolo, diz:
"seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vinda, seja a
morte, seja o presente, seja o futuro, tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo
de Deus" (1Co 3.22).
AS LIÇÕES
O ser humano vive preocupado com o
congelamento do salário, com a inflação crescendo em surdina, com o avanço e
engodo das seitas, com os conflitos e a esperada paz mundial. Pois Jesus traz
nova compreensão da vida humana, por isso que, plenamente de acordo com Sua
plataforma de ação, é o portador da obra redentora de Deus, oferece Sua Palavra
e Suas ações como desafio à fé.
Muitos contemporâneos de Jesus criam que o
reino de Deus era poder temporal (Lc 22.24-30; Mt 20.20), libertação política
(Mt 27.39-44; Jo 6.14ss; At 1.6), e, mesmo, comida e bebida (Rm 14.12). Mesmo
os discípulos caíram nesse erro. Jesus, no entanto, esclarece que o reino de
Deus já veio em Sua Pessoa e disso oferece provas (Mt 4.17; 11.1-6; 12.28; Lc
17.20ss).
A fraqueza de algumas pregações está na idéia
de que o reino de Cristo ainda virá. Não é, entanto, o que Jesus Cristo ensina.
Narra Lucas que "Interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o
reino de Deus, respondeu-lhes: o reino de Deus não vem com aparência visível.
Nem dirão: Ei-lo aqui! Ou: Ei=lo ali! Porque o reino de Deus está dentro de
vós" (cf. Mt 3.2; 12.28)
É o reino inaugurado, apesar de que será
plenamente cumprido na Parousia, a Segunda Vinda. (cf. Lc 22.18), aquilo que C.
H. Dodd chamou de "Escatologia Realizada".
E que lições extraímos desses fatos, se
diante de nós temos uma missão a ser levada com o máximo de seriedade?
1a lição - Jesus é o cumprimento das antigas
profecias.Apesar de Suas palavras fazerem nascer diferentes opiniões:
admiração, como no verso 22 ("Todos lhe davam testemunho, e se
maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca..."), ou repulsa,
como no verso 28 ("Todos na sinagoga... se encheram de ira"); apesar
de quererem seus conterrâneos os sinais do shalom que Ele traz, como destacado
no verso 23, o Messias oferece uma salvação completa, integral, verdadeiro
sentido semântico do conceito e da palavra shalom.
2a lição -o reino de Deus é Jesus Cristo
entre nós.É o Emanuel. Não é libertação para o futuro, pois já vivemos os
chamados "últimos dias" ((At 2.17; Hb 1.2; 2Pe 3.3; 1Jo 2.18). Mas
Jesus é “hoje” a boa notícia, a graça, a redenção dos homens. Jesus
glorificado, Salvador, Senhor, Cristo, é poder renovador para a terra, salvação
para a pessoa humana, razão porque o livro dos Atos dos Apóstolos repete o fim
que a verdade está em Cristo Jesus, e mostra o modelo da “Plataforma de Nazaré”
na defesa/sermão de Paulo ao rei Agripa: “Eu te livrarei deste povo, e dos
gentios, a quem agora te envio, para lhes abrir os olhos, e das trevas os
converter à luz, e do poder de Satanás a Deus, a fim de que recebam remissão
dos pecados e herança entre aqueles que são santificados pela fé em mim” (At 26.17,18)).
3a lição - a missão é dada por Deus Afinal, a
missão de Jesus Cristo é o modelo, padrão, norma para a missão de Seus
discípulos, como expresso em João 20.21: "Assim como o Pai me enviou, eu
vos enviou". Isso quer significar que para igrejas que têm como modelo a
missão de Jesus, há necessidade de vidas modeladas por Ele mesmo, que tenham a
Sua mente, pois "aquele que diz que está nele, também deve andar como ele
andou" (1Jo 2.6; cf. 1Co 2.16; Fl 2.5-8; Rm 8.29).
Se o apostolado cristão nasceu do coração do
Mestre, temos que o Deus Vivo da História da Salvação é um Deus que envia.
Enviou Seus profetas a Israel; enviou Seu Filho ao mundo; em Cristo, enviou os
apóstolos, os setenta e a Igreja; enviou o Espírito Santo à Igreja e aos nossos
corações, e nos envia ao mundo, apóstolos, missionários, evangelistas,
educadores, facilitadores da sagrada comissão (Jo 20.21; 17.18).
4a lição - é preciso redescobrir a
importância da escatologia, ponto de contato entre teologia e missão cristã. Do
ponto de vista da teologia, sem escatologia, o evangelho é tão somente um ideal
ético. O povo de Deus não pode ter crise de identidade, pois sabe quem é, sabe
o que faz, e sabe para Quem vive.
Outrossim, o povo de Deus não pode perder a
memória. Uma grande característica do povo de Israel é a preservação da memória
(tzikaron)de quem ou do que merece ser lembrado. A memória da Igreja é o Novo
Testamento, são os atos apostólicos, as ações e reações da Igreja Primitiva. O
povo de Deus há de estar padrões acima do sistema deste mundo tenebroso. Jesus,
o Cristo de Deus, é decisivo, normativo para os assuntos de fé e prática. Isso
nos traz a
5a lição - ninguém pode obedecer à ordem de
ir ou a de servir se não houver amor porque a missão da Igreja de Jesus Cristo
não pode ser realizada sem esta característica essencial do cristão. Jesus
perguntou a Pedro (Jo 21.16): "Simão, filho de João, verdadeiramente tu me
amas?"
Que
significa isso hoje? Sem dúvida, três passos no desafio e compromisso do
cristão
· É um convite à auto-consciência. Alguém expressou que somos mãos, pés, olhos e boca de Deus; somos Seus instrumentos, agentes do Reino. · Um convite à consciência da pessoa de Jesus Cristo como Messias de Deus, Ungido do Pai, o Filho do Deus Vivo, Senhor de nossas almas, de nosso futuro, de nosso destino. · Um convite ao compromisso. Se Deus prova o Seu amor para com os infelizes pecadores no fato de que Cristo morreu por nós, estando nós ainda nessa condição, nossa gratidão se expressará no cometimento apaixonado: cumprir a missão sob o poder do Alto e na força do Espírito. Não diz o hino 438 do Cantor Cristão na sua terceira estrofe:
· É um convite à auto-consciência. Alguém expressou que somos mãos, pés, olhos e boca de Deus; somos Seus instrumentos, agentes do Reino. · Um convite à consciência da pessoa de Jesus Cristo como Messias de Deus, Ungido do Pai, o Filho do Deus Vivo, Senhor de nossas almas, de nosso futuro, de nosso destino. · Um convite ao compromisso. Se Deus prova o Seu amor para com os infelizes pecadores no fato de que Cristo morreu por nós, estando nós ainda nessa condição, nossa gratidão se expressará no cometimento apaixonado: cumprir a missão sob o poder do Alto e na força do Espírito. Não diz o hino 438 do Cantor Cristão na sua terceira estrofe:
"Firmes, levemos a mensagem santa
Do evangelho de Jesus!
Esta mensagem divinal que encanta
E que o pecador conduz;
Cheia de bênçãos do glorioso Deus,
Que descobre os escolhidos seus,
Cheia de amor, traz-nos do céu o fragor
Da compaixão de Deus e dá-nos graça tanta!
Essa luz ao mundo inteiro!
Vamos, irmãos, contar
Que esse dom é verdadeiro!
Vamos, irmãos, pregar
Mui confiados no Cordeiro
Que na cruz já fez
A nossa redenção".
Vamos?
Levando a sério a tarefa missionária
Levando a sério a tarefa missionária
Números 13.1, 2, 17-29
Este texto fala dos setenta espias enviados
por Josué a Canaã para buscar um relatório daquela região de modo que os planos
de conquista fossem elaborados. Havia necessidade de toda uma estratégia, de
toda uma logística para que os planejamento de ocupação desse certo. E assim
aconteceu. Trouxeram o relatório. 68 dos
70 espias trouxeram notícias boas e notícias ruins. Está em Números 13.27, 28:
"Fomos à terra a que nos enviaste. Ela
verdadeiramente mana leite e mel! Este é o seu fruto. Mas o povo que habita
nessa terra é poderoso, e as cidades fortificadas e muitos grandes. Também
vimos ali os filhos de Enaque".
Os "filhos de Enaque" eram os
gigantes, e os israelitas ficaram assustados, e se amedrontaram, e ficaram
pasmos diante da grandeza dos habitantes da terra que pretendiam conquistar.
Verso 31: "Não poderemos atacar aquele povo; é mais forte do que
nós."Já estavam derrotados! Quem se defronta com uma dificuldade e diz
,"não vou poder enfrentá-la", com um obstáculo e diz, "não vou
poder ultrapassá-lo", já está derrotado. O poeta mineiro Carlos Drummond
de Andrade escreveu um poema intitulado "No meio do caminho" que diz:
No
meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
Pode haver dez pedras: a gente passa por
cima; empurra no despenhadeiro; escava um túnel e passa por baixo. Há tantas
opções... Mas eles tiveram medo! 68 derrotados que fizeram o povo de Israel
acreditar no desanimador relato e querer voltar ao suposto conforto do Egito.
Aqui está (14.3), "Por que nos traz o Senhor a esta terra, para cairmos à
espada, e para que nossas mulheres e crianças sejam por presa?" Não nos
seria melhor voltarmos ao Egito?"
Rebelião!!! Queriam fazer uma revolta contra
Josué, líder designado por Deus. Continua o verso 4, "Levantemos um
capitão e voltemos para o Egito".
Nesse ponto, Josué e Calebe falaram à
congregação e pronunciaram uma declaração que é o objeto do nosso comentário.
Aliás, é preciso recordar que o nome Josué é o mesmo Jesus Isaías e Oséas,
significando sugestivamente "salvação". Não é à toa que o grande
estrategista da campanha de conquista da Terra Prometida tinha esse nome:
"Salvação que vem de Deus". E aqui está a sua extraordinária
declaração: "A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muito
boa. Se o Senhor se agradar de nós, então nos fará entrar nessa terra, e no-la dará"
(14.7, 8).
Deixemos os israelitas e vamos olhar para a
família universal de Deus. Mais ainda: vamos afunilando e olhemos para o povo
evangélico do Brasil. Quais as condições gerais pelas quais esperamos que Deus
esteja conosco?
AUTOR DESCONHECIDO
(Não nos responsabilizamos pelo conteúdo teológico deste material)
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