NOVOS TEMPOS, NOVAS AÇÕES!
Série:
A
Cultura e a Igreja
Objetivo:
Mostrar
que com as mudanças culturais surge a necessidade de novas ações.
Vídeo:
A
Quarta Revolução Industrial
O mundo já
passou por várias transformações e como vimos irá passar por várias outras
mudanças ainda. Precisamos reconhecer que todas as transformações industriais
que o mundo experimentou provocaram mudanças na cultura, no modo de viver do
ser humano e consequentemente da igreja, pois a igreja é composta de pessoas.
Você já imaginou
como era a igreja antes de existir luz? Uma coisa é certa não existia cultos
depois das 18h. Contudo a luz trouxe uma mudança na cultura, transformando a
noite em dia, isto é, possibilitando as pessoas de realizarem trabalhos durante
a noite. O dia não terminava mais às 18h. A descoberta da luz afetou a vida da
igreja e nós hoje nos reunimos à noite para cultuarmos a Deus. Isso foi uma
mudança cultural.
Imagino que nos
primeiros anos dessa mudança, muitos foram resistentes a ela. Possivelmente
ainda viam a noite como símbolo das trevas. A igreja sempre se mostrou
resistente a qualquer mudança ao longo de sua história. Foi assim quando
começaram a bater palmas nas igrejas, da mesma forma quando trouxeram a bateria
para fazer parte dos instrumentos de louvor.
Estamos diante
uma nova revolução industrial. Essa revolução está transformando a cultura. A
igreja não tem como impedir esta transformação cultural. Contudo precisa
aprender rapidamente como dialogar com essa nova cultura. Não temos como
continuar ganhando almas para Cristo se não conseguirmos dialogar com as
pessoas.
A nova geração
não só é digital, o que já é revolucionário para minha geração, mas agora é
geração tela touchscreen. Essa geração se comunica através de redes sociais das
mais diversas, resolvem assuntos em minutos com qualquer um em qualquer parte
do mundo, quando a geração de meu pai levaria dias para resolverem.
Precisamos ser
uma igreja para dialogar com a cultura de nossos dias, na velocidade imprimida
pela cultura de nossos dias, se não iremos fracassar. Vivemos novos tempos, que
exigem novas ações sob a direção do mesmo Deus. Vejamos na Bíblia um exemplo de
um momento de transformação social e cultural e os desafios apresentados neste período.
Da escravidão para a vida nômade do deserto.
8 Por isso desci para livrá-lo das mãos dos egípcios e
tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde manam leite e
mel: a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus
e dos jebuseus. (Êxodo 3.8)
No texto que lemos Deus anuncia a libertação dos
israelitas da escravidão no Egito e também promete levá-los para Canaã a nova
habitação. Entre a libertação e Canaã eles viveram como nômades no deserto. O
deserto é o período da transição.
·
Escravos – Oprimidos pelos egípcios não tinham
liberdade para prestarem culto ao Deus de seus pais. Não tinham liberdade para
plantar e colher. Não tinham casas, nem tendas próprias, pois tudo pertencia
aos egípcios. Os hebreus se tornaram um povo sem tradições, sem cultura
própria. A vida era trabalhar e comer. Só tinham um sonho se tornarem livres.
·
Nômades no Deserto – Agora eram livres
para construírem sua própria história e desenvolverem um relacionamento com o
Deus de seus pais. No deserto viviam como peregrinos. Não podiam plantar nem
colher e se alimentavam da providência divina. Não tinham casas fixas, viviam
em tendas. Contudo a liberdade foi alcançada e agora podiam sonhar novos sonhos.
Este era o primeiro desafio apresentado a eles.
1.
Desafio: Readequação da Visão
Quando falamos
em visão, estamos falando de sonho – daquilo que desejamos nos tornar ou
alcançar. Era preciso readequar o sonho. Enquanto escravos só desejavam a
liberdade. Mas agora que se encontravam livres era preciso responder a uma nova
pergunta: O que queremos ser? Ou como desejamos ser conhecidos? Era preciso um novo
sonho, uma nova visão uma vez que a liberdade já tinha sido alcançada. Deus
providenciou uma nova visão para eles.
8 Por isso desci para livrá-lo das mãos dos egípcios
e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde manam leite e mel: a
terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos
jebuseus. (Êxodo 3.8)
Uma vez livres,
readequaram, ajustaram a visão, o desejo agora era se estabelecerem na terra
prometida e construírem casas para si, plantar e colher os frutos de seu
trabalho.
Como igreja
precisamos readequar nossa visão para nos tornamos relevantes as novas gerações
e ao novo tempo em que vivemos. Precisamos compreender que estamos debaixo do
comando do mesmo Deus de caráter imutável. Entretanto a maneira do mundo se
comunicar está mudando. A forma das pessoas se relacionarem umas com as outras
está mudando e precisamos estar atentos a isso, pois Deus continua desejando
alcançar todo ser humano com seu amor. Cabe a nós igreja a tarefa de anunciar o
Evangelho a essa nova geração e precisamos usar de toda tecnologia possível,
pois esses são os novos instrumentos que farão com que a voz de Deus seja
ouvida. Devemos entrar no mundo virtual para trazermos pessoas a um
relacionamento real com Deus e conosco.
Se você deseja
evangelizar pessoas e se relacionar em amor com pessoas, você precisa se
conectar ao mundo digital, touchscreen, e por meio desta tecnologia atrair
pessoas para um relacionamento real. Faça um upgrade na sua visão.
2. Desafio: Transpor
os Próprios Limites
Sair da
escravidão para a vida nômade do deserto não foi uma transição fácil. Nenhuma
transição é fácil. Não será fácil sairmos de uma igreja com uma linguagem da
era moderna para uma linguagem da era pós-moderna. Nem todos conseguiram
acompanhar o movimento de Deus entre a escravidão e a terra prometida. Nem
todos conseguirão acompanhar o movimento de Deus entre a geração máquina de
escrever e a nova geração digital. Lemos na história que Corá, Datã, Abirão, Om
e mais 250 homens insurgiram contra Moisés.
1 Corá, filho de Isar, neto de Coate, bisneto de
Levi, reuniu Datã e Abirão, filhos de Eliabe, e Om, filho de Pelete, todos da
tribo de Rúben,
2 e eles se insurgiram contra Moisés. Com eles
estavam duzentos e cinquenta israelitas, líderes bem conhecidos na comunidade e
que haviam sido nomeados membros do concílio.
13 Não lhe basta nos ter tirado de uma terra onde
manam leite e mel para matar-nos no deserto? E ainda quer se fazer chefe sobre
nós? (Números 16.1-2,13)
As incertezas
provocadas no deserto levaram alguns homens a pôr em dúvida a liderança e a
palavra de Moisés. Será que conseguiremos sobreviver? Será que Moisés sabe o
caminho para a terra prometida? Será que tem mesmo uma terra prometida? Será
que teremos água amanhã? Será que Moisés é mesmo o líder que Deus escolheu para
nós?
Assim como Corá,
Datã e os demais homens, muitos de nós olhamos para o nosso país e para nossas
igrejas e ficamos incertos quanto ao futuro deles. Será que a Igreja
sobreviverá diante uma sociedade secularizada? Será que essa juventude digital
será fiel a Deus? Será o mundo dominado pelas máquinas? O que será do amanhã?
Diante tantas incertezas quanto ao futuro,
acabamos nos sentindo mais seguros com o que já conhecemos. Alguns querem
voltar a usar a velha máquina de escrever, ao invés de tentar aprender a usar
os novos computadores e novos recursos tecnológicos. Entretanto Deus nos chama
para confiarmos Nele e prosseguirmos a jornada. O passado sempre parecerá
melhor aos nossos olhos, pois é muito mais fácil confiar no que já conhecemos
do que no desconhecido. Alguns preferem voltar à escravidão, como Corá, pelo
simples medo do novo. Contudo a nova geração deve se perguntar: “Como eles
podem ainda querer usar uma máquina de escrever? As teclas são duras, não é
possível deletar quando se erra, é preciso voltar o rolo da fita, tem que pôr o
papel, tirar o papel... que atraso pensam eles”. A nova geração pede passagem. O
maior legado que podemos deixar para a nova geração é uma igreja que os
compreenda, que responda a suas perguntas e que fale na sua linguagem a verdade
sobre Cristo Jesus.
Durante o
caminho para o novo de Deus em nossas vidas e na vida de nossa igreja
encontraremos obstáculos, dificuldades e oposição. Contudo Deus nunca perdeu o
controle da história. Deus é Deus em todo tempo, em toda história, em toda
circunstância e sempre será. Ele está escrevendo a sua história com você hoje e
você precisa confiar que tudo está sob o controle Dele e não no seu controle.
Não tente escrever a sua história sozinho, deixa Deus escrever com você.
Toda transição
exige de nós escolhas. Assim como uma mudança de casa onde precisamos separar o
que vamos jogar fora e o que iremos levar. Essas escolhas exigem que nós muitas
vezes venhamos transpor nossos próprios limites. Pessoas que não conseguem
desapegar dos objetos, dos velhos costumes, são os que mais sofrem neste
momento. “Eu sempre fui assim, eu sempre fiz assim...”. Permita que Deus te
leve a novas experiências. Confia no Senhor de todo o seu coração. Ele quer
transformar sua vida. Se jogue em seus braços como uma criança que se joga nos
braços do Pai.
A mudança
cultura e social que estamos experimentando devido ao grande avanço da ciência
e da tecnologia nos pede para transpormos nossos próprios limites em amor à
nova geração que pede passagem.
Seremos muitas
vezes levados ao nosso limite, mas precisamos transpor nossos próprios limites
nos lançando nos braços de Deus. Só se vence o deserto confiando plenamente em
Deus. Precisamos caminhar sob sua nova direção para que sejamos pessoas e
igreja relevantes diante os novos tempos. Entretanto não se pode viver o novo
agarrado à velha forma de pensar e ser.
Conclusão: Quero concluir
com as palavras de Jesus, nosso Senhor.
16 "Ninguém põe remendo de pano novo em roupa
velha, pois o remendo forçará a roupa, tornando pior o rasgo.
17 Nem se põe vinho novo em vasilhas de couro
velhas; se o fizer, as vasilhas se rebentarão, o vinho se derramará e as
vasilhas se estragarão. Pelo contrário, põe-se vinho novo em vasilhas de couro
novas; e ambos se conservam". (Mateus 9.16,17)
Jesus está falando
nessa passagem da necessidade de novas atitudes, de novas posturas diante uma
nova realidade. Não podemos ser relevantes a nova geração digital e pós-moderna
se não formos intencionalmente em direção a eles. Precisamos ser intencionais
por isso:
1. Faça hoje uma
readequação de sua visão – Qual o legado que você quer deixar para seus
filhos? Para sua igreja? Como você quer ficar conhecido na história?
2. Transpor os
Próprios Limites
– O que você precisa abandonar para conseguir ser relevante a nova geração? Que
passos você precisa dar para dialogar com a nova geração?
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
23/09/2018
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