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terça-feira, 25 de setembro de 2018

SERMÕES 44 - NOVOS TEMPOS, NOVAS AÇÕES!


NOVOS TEMPOS, NOVAS AÇÕES!

Série: A Cultura e a Igreja
Objetivo: Mostrar que com as mudanças culturais surge a necessidade de novas ações.

Vídeo: A Quarta Revolução Industrial

O mundo já passou por várias transformações e como vimos irá passar por várias outras mudanças ainda. Precisamos reconhecer que todas as transformações industriais que o mundo experimentou provocaram mudanças na cultura, no modo de viver do ser humano e consequentemente da igreja, pois a igreja é composta de pessoas.
Você já imaginou como era a igreja antes de existir luz? Uma coisa é certa não existia cultos depois das 18h. Contudo a luz trouxe uma mudança na cultura, transformando a noite em dia, isto é, possibilitando as pessoas de realizarem trabalhos durante a noite. O dia não terminava mais às 18h. A descoberta da luz afetou a vida da igreja e nós hoje nos reunimos à noite para cultuarmos a Deus. Isso foi uma mudança cultural.
Imagino que nos primeiros anos dessa mudança, muitos foram resistentes a ela. Possivelmente ainda viam a noite como símbolo das trevas. A igreja sempre se mostrou resistente a qualquer mudança ao longo de sua história. Foi assim quando começaram a bater palmas nas igrejas, da mesma forma quando trouxeram a bateria para fazer parte dos instrumentos de louvor.
Estamos diante uma nova revolução industrial. Essa revolução está transformando a cultura. A igreja não tem como impedir esta transformação cultural. Contudo precisa aprender rapidamente como dialogar com essa nova cultura. Não temos como continuar ganhando almas para Cristo se não conseguirmos dialogar com as pessoas.

A nova geração não só é digital, o que já é revolucionário para minha geração, mas agora é geração tela touchscreen. Essa geração se comunica através de redes sociais das mais diversas, resolvem assuntos em minutos com qualquer um em qualquer parte do mundo, quando a geração de meu pai levaria dias para resolverem.
Precisamos ser uma igreja para dialogar com a cultura de nossos dias, na velocidade imprimida pela cultura de nossos dias, se não iremos fracassar. Vivemos novos tempos, que exigem novas ações sob a direção do mesmo Deus. Vejamos na Bíblia um exemplo de um momento de transformação social e cultural e os desafios apresentados neste período.
Da escravidão para a vida nômade do deserto.
8 Por isso desci para livrá-lo das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde manam leite e mel: a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus. (Êxodo 3.8)
No texto que lemos Deus anuncia a libertação dos israelitas da escravidão no Egito e também promete levá-los para Canaã a nova habitação. Entre a libertação e Canaã eles viveram como nômades no deserto. O deserto é o período da transição.
·         Escravos – Oprimidos pelos egípcios não tinham liberdade para prestarem culto ao Deus de seus pais. Não tinham liberdade para plantar e colher. Não tinham casas, nem tendas próprias, pois tudo pertencia aos egípcios. Os hebreus se tornaram um povo sem tradições, sem cultura própria. A vida era trabalhar e comer. Só tinham um sonho se tornarem livres.
·         Nômades no Deserto – Agora eram livres para construírem sua própria história e desenvolverem um relacionamento com o Deus de seus pais. No deserto viviam como peregrinos. Não podiam plantar nem colher e se alimentavam da providência divina. Não tinham casas fixas, viviam em tendas. Contudo a liberdade foi alcançada e agora podiam sonhar novos sonhos. Este era o primeiro desafio apresentado a eles.

1.    Desafio: Readequação da Visão
Quando falamos em visão, estamos falando de sonho – daquilo que desejamos nos tornar ou alcançar. Era preciso readequar o sonho. Enquanto escravos só desejavam a liberdade. Mas agora que se encontravam livres era preciso responder a uma nova pergunta: O que queremos ser? Ou como desejamos ser conhecidos? Era preciso um novo sonho, uma nova visão uma vez que a liberdade já tinha sido alcançada. Deus providenciou uma nova visão para eles.
8 Por isso desci para livrá-lo das mãos dos egípcios e tirá-los daqui para uma terra boa e vasta, onde manam leite e mel: a terra dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus. (Êxodo 3.8)
Uma vez livres, readequaram, ajustaram a visão, o desejo agora era se estabelecerem na terra prometida e construírem casas para si, plantar e colher os frutos de seu trabalho.
Como igreja precisamos readequar nossa visão para nos tornamos relevantes as novas gerações e ao novo tempo em que vivemos. Precisamos compreender que estamos debaixo do comando do mesmo Deus de caráter imutável. Entretanto a maneira do mundo se comunicar está mudando. A forma das pessoas se relacionarem umas com as outras está mudando e precisamos estar atentos a isso, pois Deus continua desejando alcançar todo ser humano com seu amor. Cabe a nós igreja a tarefa de anunciar o Evangelho a essa nova geração e precisamos usar de toda tecnologia possível, pois esses são os novos instrumentos que farão com que a voz de Deus seja ouvida. Devemos entrar no mundo virtual para trazermos pessoas a um relacionamento real com Deus e conosco.
Se você deseja evangelizar pessoas e se relacionar em amor com pessoas, você precisa se conectar ao mundo digital, touchscreen, e por meio desta tecnologia atrair pessoas para um relacionamento real. Faça um upgrade na sua visão.

2. Desafio: Transpor os Próprios Limites
Sair da escravidão para a vida nômade do deserto não foi uma transição fácil. Nenhuma transição é fácil. Não será fácil sairmos de uma igreja com uma linguagem da era moderna para uma linguagem da era pós-moderna. Nem todos conseguiram acompanhar o movimento de Deus entre a escravidão e a terra prometida. Nem todos conseguirão acompanhar o movimento de Deus entre a geração máquina de escrever e a nova geração digital. Lemos na história que Corá, Datã, Abirão, Om e mais 250 homens insurgiram contra Moisés.
1 Corá, filho de Isar, neto de Coate, bisneto de Levi, reuniu Datã e Abirão, filhos de Eliabe, e Om, filho de Pelete, todos da tribo de Rúben,
2 e eles se insurgiram contra Moisés. Com eles estavam duzentos e cinquenta israelitas, líderes bem conhecidos na comunidade e que haviam sido nomeados membros do concílio.
13 Não lhe basta nos ter tirado de uma terra onde manam leite e mel para matar-nos no deserto? E ainda quer se fazer chefe sobre nós? (Números 16.1-2,13)
As incertezas provocadas no deserto levaram alguns homens a pôr em dúvida a liderança e a palavra de Moisés. Será que conseguiremos sobreviver? Será que Moisés sabe o caminho para a terra prometida? Será que tem mesmo uma terra prometida? Será que teremos água amanhã? Será que Moisés é mesmo o líder que Deus escolheu para nós?
Assim como Corá, Datã e os demais homens, muitos de nós olhamos para o nosso país e para nossas igrejas e ficamos incertos quanto ao futuro deles. Será que a Igreja sobreviverá diante uma sociedade secularizada? Será que essa juventude digital será fiel a Deus? Será o mundo dominado pelas máquinas? O que será do amanhã?

 Diante tantas incertezas quanto ao futuro, acabamos nos sentindo mais seguros com o que já conhecemos. Alguns querem voltar a usar a velha máquina de escrever, ao invés de tentar aprender a usar os novos computadores e novos recursos tecnológicos. Entretanto Deus nos chama para confiarmos Nele e prosseguirmos a jornada. O passado sempre parecerá melhor aos nossos olhos, pois é muito mais fácil confiar no que já conhecemos do que no desconhecido. Alguns preferem voltar à escravidão, como Corá, pelo simples medo do novo. Contudo a nova geração deve se perguntar: “Como eles podem ainda querer usar uma máquina de escrever? As teclas são duras, não é possível deletar quando se erra, é preciso voltar o rolo da fita, tem que pôr o papel, tirar o papel... que atraso pensam eles”. A nova geração pede passagem. O maior legado que podemos deixar para a nova geração é uma igreja que os compreenda, que responda a suas perguntas e que fale na sua linguagem a verdade sobre Cristo Jesus.
Durante o caminho para o novo de Deus em nossas vidas e na vida de nossa igreja encontraremos obstáculos, dificuldades e oposição. Contudo Deus nunca perdeu o controle da história. Deus é Deus em todo tempo, em toda história, em toda circunstância e sempre será. Ele está escrevendo a sua história com você hoje e você precisa confiar que tudo está sob o controle Dele e não no seu controle. Não tente escrever a sua história sozinho, deixa Deus escrever com você.
Toda transição exige de nós escolhas. Assim como uma mudança de casa onde precisamos separar o que vamos jogar fora e o que iremos levar. Essas escolhas exigem que nós muitas vezes venhamos transpor nossos próprios limites. Pessoas que não conseguem desapegar dos objetos, dos velhos costumes, são os que mais sofrem neste momento. “Eu sempre fui assim, eu sempre fiz assim...”. Permita que Deus te leve a novas experiências. Confia no Senhor de todo o seu coração. Ele quer transformar sua vida. Se jogue em seus braços como uma criança que se joga nos braços do Pai.
A mudança cultura e social que estamos experimentando devido ao grande avanço da ciência e da tecnologia nos pede para transpormos nossos próprios limites em amor à nova geração que pede passagem.  
Seremos muitas vezes levados ao nosso limite, mas precisamos transpor nossos próprios limites nos lançando nos braços de Deus. Só se vence o deserto confiando plenamente em Deus. Precisamos caminhar sob sua nova direção para que sejamos pessoas e igreja relevantes diante os novos tempos. Entretanto não se pode viver o novo agarrado à velha forma de pensar e ser.

Conclusão: Quero concluir com as palavras de Jesus, nosso Senhor.
16 "Ninguém põe remendo de pano novo em roupa velha, pois o remendo forçará a roupa, tornando pior o rasgo.
17 Nem se põe vinho novo em vasilhas de couro velhas; se o fizer, as vasilhas se rebentarão, o vinho se derramará e as vasilhas se estragarão. Pelo contrário, põe-se vinho novo em vasilhas de couro novas; e ambos se conservam". (Mateus 9.16,17)
Jesus está falando nessa passagem da necessidade de novas atitudes, de novas posturas diante uma nova realidade. Não podemos ser relevantes a nova geração digital e pós-moderna se não formos intencionalmente em direção a eles. Precisamos ser intencionais por isso:
1.      Faça hoje uma readequação de sua visão – Qual o legado que você quer deixar para seus filhos? Para sua igreja? Como você quer ficar conhecido na história?
2.      Transpor os Próprios Limites – O que você precisa abandonar para conseguir ser relevante a nova geração? Que passos você precisa dar para dialogar com a nova geração?

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
23/09/2018

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