CIDADANIA A PARTIR DE JESUS:
A POLÍTICA ESPIRITUALMENTE CORRETA
Objetivo:
Mostrar que o cristão deve fazer política sem perder a espiritualidade.
Hoje, 07/10/2018 estamos fazendo história em nosso país. Todo
brasileiro maior de 16 anos estão indo as urnas ou já foram para escolher o
futuro presidente que governará nossa nação nos próximos anos. Ao irmos as
urnas para votar estamos exercendo nossa cidadania. Inspirados, por este
momento histórico iniciaremos nossa nova série de mensagens com o tema
CIDADANIA A PARTIR DE JESUS, e hoje abordaremos o assunto A POLÍTICA
ESPIRITUALMENTE CORRETA.
1 –
Compreendendo o Que é Política
O termo “política” é derivado do grego antigo “πολιτεία”
(politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis. Um “político” era aquele que
buscava fazer uma BOA gestão da cidade ou da sociedade. Política é a ciência de governar ou administrar
bem o cidade ou Estado. É o exercício de compatibilizar os interesses de todos.
2 –
Compreendendo o Que é Espiritualidade
A espiritualidade é
algo que está acima da experiência religiosa. É
a propensão humana a buscar significado para a
vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, uma busca de sentido e
conexão com algo maior que si próprio. Hoje ao falarmos de
espiritualidade partiremos do conceito cristão, isto é, de pessoas que vivem
uma espiritualidade dirigida pela ética do Reino de Deus, tendo Jesus como seu
Rei e Senhor.
3 – A Posição Política do Brasil Quanto a Espiritualidade
O catolicismo foi à religião oficial do Estado até a
Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado laico. Portanto o Brasil atualmente é um Estado laico, isto significa que
não existe uma religião oficial de Estado e a consciência religiosa é de foro
íntimo.
Cada brasileiro
é livre para viver sua espiritualidade como bem entender, podendo servir ao
Deus único e Criador, ou não.
4 – O Ressurgimento da Política dos Zelotes
Ao falar do
ressurgimento da política dos zelotes me refiro primeiramente a uma disposição
de implantar o Reino de Deus através da força e em segundo lugar a um espírito
de ressentimento e raiva que tem exalado um perfume de morte em nossos dias.
Os zelotes eram
uma seita judaica radical do tempo de Jesus. Foi estabelecida por Judas, o galileu, que liderou uma
revolta contra a dominação Romana no ano 6 d.C., rejeitando o pagamento de
tributo pelos israelitas a um imperador pagão, sob a alegação de que tal ato
era uma traição contra Deus, o verdadeiro rei de Israel.
37 Depois dele, nos dias do recenseamento, apareceu Judas, o
galileu, que liderou um grupo em rebelião. Ele também foi morto, e todos os
seus seguidores foram dispersos. (Atos 5.37)
Os zelotes
acreditavam na luta armada contra os romanos e esperavam um Messias guerreiro
que os libertassem do poder do Império Romano.
Muitos
historiadores afirmam que Judas Iscariotes também pertencia a este grupo
partidário. O que justificaria sua traição a Jesus.
O nome “zelote” vem de “zelo”. A devoção deste grupo era
tão intensa que eles não hesitavam em matar pessoas em prol de sua causa.
Constantemente eles entravam em luta contra os soldados romanos. Eles queriam
impor sua ideologia, seus valores, sua crença e seu governo a força e tinham
esperança que o Messias lutasse a luta deles.
Atualmente me preocupo, pois parece que nós cristãos nos
tornamos como os zelotes. Estamos tentando impor a bandeira que acreditamos ser
a verdadeira sobre toda a sociedade. Assim como os zelotes ansiavam pelo Messias para lutar ao
lado deles, hoje os pastores invocam a Jesus para defenderem suas próprias
causas, ainda que estas pareçam com as causas do reino de Deus.
Pastores e
líderes religiosos têm invadido as redes sociais defendendo suas posições políticas,
carregados de raiva, ira e rancor contra aqueles que se posicionam contrários a
sua ideologia ou ao seu partido. Essa postura não tem nada a ver com o
cristianismo.
Estamos vivendo um momento na história onde o fermento dos
zelotes parece estar ganhando corpo. A violência está em todos os lados. Está entrando
na casa de Deus também, à medida que cada cristão é tomado por este sentimento
de tentar impor a força o modelo político que julga correto; e como os zelotes
invocam a presença do Messias para legitimar suas lutas.
Já vivemos isso antes na história. De que lado estava à
igreja quando Hitler mandou matar milhares de judeus? De que lado estava à
igreja enquanto negros eram açoitados pelos senhores dos grandes engenhos e cafezais?
De que lado estava à igreja quando os jesuítas matavam os índios que não
aceitavam ser catequisados? De que lado está à igreja hoje? Do Bolsonaro?
Do Lulismo?
É vergonhoso
vermos o ódio se alastrando em nosso meio. É vergonhoso ver irmãos brigando
entre si por partidos políticos. Estamos tomando o mesmo caminho de Judas
Iscariotes. Nosso fervor por um partido político, por uma ideologia, tem feito suscitar
em nós o mesmo sentimento que levou Judas a trair Jesus.
O homem carnal tem sido despertado por um fervor ideológico
e político nos cegando da realidade, e acabamos por fazer o que não gostaríamos
de fazer. Amizades de anos têm sido rompidas. Acabamos sendo dominados pela
carne e não pelo Espírito. As obras da
carne nos levam a morte, mas as do Espírito a vida.
13 Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a
liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos
outros mediante o amor. 14 Toda a lei se resume
num só mandamento: "Ame o seu próximo como a si mesmo". 15 Mas se vocês se mordem e se devoram uns aos
outros, cuidado para não se destruírem mutuamente. 16 Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo
nenhum satisfarão os desejos da carne. 17 Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o
Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de
modo que vocês não fazem o que desejam. 18 Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da
lei. 19 Ora, as obras da carne
são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; 20 idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes,
ira, egoísmo, dissensões, facções 21 e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os
advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não
herdarão o Reino de Deus. 22 Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência,
amabilidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. 24 Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a
carne, com as suas paixões e os seus desejos. 25 Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. (Gálatas 5.13-25)
5 – A Realidade Política de Nosso País
Confronta Nossa Postura Cristã
Me entristeço
por saber que o PT ficou 14 anos no governo, afundou o país numa crise, enviou
dinheiro para Venezuela, Cuba e outros países enquanto pessoas aqui morreram na
fila do SUS ou por falta de atendimento ou remédios. Sinto repulsa ao saber que
o PT entregou através do projeto “Minha Casa, Minha Vida”, casas sem fiação
para luz, algumas sem água. Apartamentos que hoje estão correndo o risco de
cair. Construções todas mal feitas, com material de baixíssima qualidade,
colocando a vida dos cidadãos em perigo. O Lulismo investiu o meu e o seu dinheiro em outros
países e acabaram com a economia do Brasil, gerando a maior crise de desemprego
já vista dos últimos anos. E agora jogam a culpa nos dois últimos anos do
governo Temer, não assumem o que fazem. Mentem descaradamente.
Me assusto ao
ver que têm cristãos desejando que eles voltem ao poder como se fossem fazer
algo diferente do que já fizerem e defendem estes homens como se eles não
merecessem a cadeia; penso que somente assim a maldade deles podem ser freada.
Me envergonho de
saber que políticos dos mais diversos escalões e partidos estão afundados na
corrupção da Lava-Jato.
Contudo me enojo ao saber que Bolsonaro foi capaz de
dizer a deputada Maria do Rosário “não te estupro porque você não merece”. Palavras
desnecessárias e agressivas. Não concordo com Bolsonaro ao dizer que pretende “fazer
guerra para acabar com a guerra”. Matar vidas não é o caminho. Não se paga mal
com mal. Temos que nos chocar quando Bolsonaro diz “o problema da ditadura é
que torturou e não matou, poderia ter matado mais”. Bolsonaro trata a vida como
se a mesma não tivesse valor algum. Sei que suas palavras são direcionadas a
pessoas que não merecem nossa compaixão, mas elas são alvos do amor de Deus e
devemos amá-las.
E nós igreja? Como
estamos reagindo diante a política de nossos dias? Perdemos o bom senso.
Perdemos a santidade. Perdemos a capacidade de pensar e ver a realidade.
Precisamos de profetas que abra nossos olhos, pois vemos, mas não enxergamos.
Ouvimos, mas não escutamos. O mal tem se apoderado de nossa sociedade. E sem
percebermos estamos sendo dominados por este sentimento de ódio, e começamos a
nos tornar cegos a ponto de não vermos o mal. E o pior é que nos associamos com
aqueles que praticam o mal.
14 Não se ponham em jugo desigual com descrentes.
Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz
com as trevas? (2 Coríntios 6.14)
Não posso
aceitar que uma pessoa esfaqueie outra por não concordar com sua posição como
foi feito com Jair Bolsonaro. Não concordo com Aécio Neves que recebeu dinheiro
dos irmãos da JBS. Não consigo aceitar que o juiz Gilmar Mendes solte todos os
políticos que foram presos. Não
posso aceitar que seja normal homofobia, violência contra a mulher, contra a
criança, ideologia de gênero, trabalho escravo, xenofobia, etc. Não posso me
associar aos que tais coisas praticam, pois estão contra a agenda de Deus. Devo
amá-los, mas não me associar as suas práticas.
Vivemos em meio
a uma corrupção generalizada e ficamos defendendo com fervor partidos e homens com
suas ideologias que não tem compromisso algum com Deus, como se um deles fosse
bom, e desejasse realmente fazer o bem. Dessa forma apenas nos dividimos e não
é assim que devemos fazer política.
36 Disse Jesus: "O meu Reino não é deste mundo. Se fosse,
os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o
meu Reino não é daqui". (João 18.36)
Nós somos implantadores da política do Reino de Deus. Nós
somos embaixadores do Reino de Deus. O Reino de Deus se estende além deste
mundo e de suas ideologias.
33 E contou-lhes ainda outra parábola: "O Reino dos céus é
como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de
farinha, e toda a massa ficou fermentada". (Mateus
13.33)
Nós somos o fermento que precisa fermentar a massa. Eu e
você devemos fazer política sem nos comprometermos com partidos e suas
ideologias; nosso compromisso é unicamente com Jesus. Devemos fazer política
fazendo o bem sem nos importarmos com a bandeira política que se carrega. Temos
que entrar em cada estrutura social e política de nosso país, comprometidos unicamente
em estender o Reino de Deus a cada cidadão brasileiro. Somos politicamente
espirituais quando nos comprometemos somente com o Reino de Deus e com a agenda
de Deus; não com a agenda de homens.
6 – Exercer Política é Exercer
Espiritualidade
Muitos cristãos acreditam que o Estado não deve
interferir na vida da igreja e nem a igreja deve interferir nas decisões do
Estado.
A alienação do cristão na vida pública tem sua origem nos
anabatistas (nossos pais da fé). Eles eram contrários a qualquer participação
dos cristãos na vida política. Eles defendiam que este mundo não é o nosso
mundo, portanto deixe o mundo se acabar e vamos para a terra celestial que nos
foi prometida. Vamos evangelizar almas, mas não vamos nos envolver com a
sociedade e com sua vida política.
Os reformadores do século XVI ao contrário defendiam que
os homens deveriam participar da construção histórica da humanidade. Para os
reformadores todo cristão tem sim uma responsabilidade com a sociedade em que
viviam. Essa visão os levou a construir escolas, faculdades e hospitais em
todos os lugares onde levavam o evangelho de Jesus Cristo. O que a bíblia
diz?
8 "Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja
o defensor de todos os desamparados.
9 Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos
pobres e dos necessitados". (Provérbios
31.8,9)
Isso é fazer
política. Isso é buscar justiça por àqueles que não têm força política como
cidadão para pedir por justiça. Somos chamados para clamar pelos oprimidos.
Em todo Antigo
Testamento encontramos o povo de Deus envolvido na política. Davi e Salomão
eram reis e governavam sobre Israel. Os profetas interferiam constantemente nas
decisões dos reis. Daniel era conselheiro real.
No Novo Testamento, no período Bíblico, os homens e
mulheres de Deus não ocuparam cargos políticos, mas influenciavam o seu tempo
com os ensinos de Jesus e com sua forma prática de viverem o Evangelho. Por
exemplo: O apóstolo Paulo na prisão conhece Onésimo um escravo fugitivo. Paulo
pede para Filemom, um cristão que também havia sido evangelizado por ele, e que
porventura era o senhor de Onésimo, receber seu escravo, como quem recebe a um
irmão em Cristo.
Embora Paulo não
escreveu diretamente que era contra a escravidão, ele mostra que em Cristo
todos somos irmãos e devemos cumprir nossos deveres uns aos outros como irmãos.
Onésimo deveria voltar e cumprir seu trabalho para com o irmão Filemom, que por
sua vez deveria tratá-lo como um irmão e não mais como um escravo.
Esse é um ótimo
modelo do cristianismo penetrando na estrutura pecaminosa social e provocando
mudanças, como fermento na massa. Essa é uma ação politicamente espiritual.
Paulo não mudou
leis, mas mudou a disposição do coração de Onésimo e Filemom, que agora em
Cristo compreendiam a nova realidade a que pertenciam.
Portanto política e espiritualidade não são
contraditórias. Como cristão todas minhas ações e falas devem manifestar a
glória de Deus. Não separo cidadania da vida espiritual. Ao exercer minha
cidadania eu faço como um ato de espiritualidade. Sou cidadão do Reino de Deus vivendo no reino dos homens,
com o fim de influenciar o reino dos homens com os valores do Reino de Deus.
Vídeo: Deltan
Dallagnol
Conclusão:
Que
você possa por meio de seu trabalho, influenciando seus amigos e familiares,
fazer com que o Reino de Deus com seus princípios e valores penetre em todas as
estruturas sociais que estiver ao seu alcance. Seja um agente de Deus onde
estiver. Seja o fermento do Reino para transformar o mundo que está ao seu
alcance. Deus te abençoe.
Pr. Cornélio Póvoa
de Oliveira
07/10/2018
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