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quarta-feira, 10 de outubro de 2018

SERMÕES 46 - A POLÍTICA ESPIRITUALMENTE CORRETA


CIDADANIA A PARTIR DE JESUS:
A POLÍTICA ESPIRITUALMENTE CORRETA

Objetivo: Mostrar que o cristão deve fazer política sem perder a espiritualidade.

Hoje, 07/10/2018 estamos fazendo história em nosso país. Todo brasileiro maior de 16 anos estão indo as urnas ou já foram para escolher o futuro presidente que governará nossa nação nos próximos anos. Ao irmos as urnas para votar estamos exercendo nossa cidadania. Inspirados, por este momento histórico iniciaremos nossa nova série de mensagens com o tema CIDADANIA A PARTIR DE JESUS, e hoje abordaremos o assunto A POLÍTICA ESPIRITUALMENTE CORRETA.

1 – Compreendendo o Que é Política
O termo “política” é derivado do grego antigo “πολιτεία” (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis. Um “político” era aquele que buscava fazer uma BOA gestão da cidade ou da sociedade. Política é a ciência de governar ou administrar bem o cidade ou Estado. É o exercício de compatibilizar os interesses de todos.


2 – Compreendendo o Que é Espiritualidade
A espiritualidade é algo que está acima da experiência religiosa. É a propensão humana a buscar significado para a vida por meio de conceitos que transcendem o tangível, uma busca de sentido e conexão com algo maior que si próprio. Hoje ao falarmos de espiritualidade partiremos do conceito cristão, isto é, de pessoas que vivem uma espiritualidade dirigida pela ética do Reino de Deus, tendo Jesus como seu Rei e Senhor.

3 – A Posição Política do Brasil Quanto a Espiritualidade
O catolicismo foi à religião oficial do Estado até a Constituição Republicana de 1891, que instituiu o Estado laico. Portanto o Brasil atualmente é um Estado laico, isto significa que não existe uma religião oficial de Estado e a consciência religiosa é de foro íntimo.
Cada brasileiro é livre para viver sua espiritualidade como bem entender, podendo servir ao Deus único e Criador, ou não.

4 – O Ressurgimento da Política dos Zelotes
Ao falar do ressurgimento da política dos zelotes me refiro primeiramente a uma disposição de implantar o Reino de Deus através da força e em segundo lugar a um espírito de ressentimento e raiva que tem exalado um perfume de morte em nossos dias.
Os zelotes eram uma seita judaica radical do tempo de Jesus. Foi estabelecida por Judas, o galileu, que liderou uma revolta contra a dominação Romana no ano 6 d.C., rejeitando o pagamento de tributo pelos israelitas a um imperador pagão, sob a alegação de que tal ato era uma traição contra Deus, o verdadeiro rei de Israel.
37 Depois dele, nos dias do recenseamento, apareceu Judas, o galileu, que liderou um grupo em rebelião. Ele também foi morto, e todos os seus seguidores foram dispersos. (Atos 5.37)
Os zelotes acreditavam na luta armada contra os romanos e esperavam um Messias guerreiro que os libertassem do poder do Império Romano.
Muitos historiadores afirmam que Judas Iscariotes também pertencia a este grupo partidário. O que justificaria sua traição a Jesus.
O nome “zelote” vem de “zelo”. A devoção deste grupo era tão intensa que eles não hesitavam em matar pessoas em prol de sua causa. Constantemente eles entravam em luta contra os soldados romanos. Eles queriam impor sua ideologia, seus valores, sua crença e seu governo a força e tinham esperança que o Messias lutasse a luta deles.
Atualmente me preocupo, pois parece que nós cristãos nos tornamos como os zelotes. Estamos tentando impor a bandeira que acreditamos ser a verdadeira sobre toda a sociedade. Assim como os zelotes ansiavam pelo Messias para lutar ao lado deles, hoje os pastores invocam a Jesus para defenderem suas próprias causas, ainda que estas pareçam com as causas do reino de Deus.
Pastores e líderes religiosos têm invadido as redes sociais defendendo suas posições políticas, carregados de raiva, ira e rancor contra aqueles que se posicionam contrários a sua ideologia ou ao seu partido. Essa postura não tem nada a ver com o cristianismo.
Estamos vivendo um momento na história onde o fermento dos zelotes parece estar ganhando corpo. A violência está em todos os lados. Está entrando na casa de Deus também, à medida que cada cristão é tomado por este sentimento de tentar impor a força o modelo político que julga correto; e como os zelotes invocam a presença do Messias para legitimar suas lutas.
Já vivemos isso antes na história. De que lado estava à igreja quando Hitler mandou matar milhares de judeus? De que lado estava à igreja enquanto negros eram açoitados pelos senhores dos grandes engenhos e cafezais? De que lado estava à igreja quando os jesuítas matavam os índios que não aceitavam ser catequisados? De que lado está à igreja hoje? Do Bolsonaro? Do Lulismo?
É vergonhoso vermos o ódio se alastrando em nosso meio. É vergonhoso ver irmãos brigando entre si por partidos políticos. Estamos tomando o mesmo caminho de Judas Iscariotes. Nosso fervor por um partido político, por uma ideologia, tem feito suscitar em nós o mesmo sentimento que levou Judas a trair Jesus.
O homem carnal tem sido despertado por um fervor ideológico e político nos cegando da realidade, e acabamos por fazer o que não gostaríamos de fazer. Amizades de anos têm sido rompidas. Acabamos sendo dominados pela carne e não pelo Espírito.  As obras da carne nos levam a morte, mas as do Espírito a vida.
13 Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor. 14 Toda a lei se resume num só mandamento: "Ame o seu próximo como a si mesmo". 15 Mas se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não se destruírem mutuamente. 16 Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne. 17 Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito; e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles estão em conflito um com o outro, de modo que vocês não fazem o que desejam. 18 Mas, se vocês são guiados pelo Espírito, não estão debaixo da lei. 19 Ora, as obras da carne são manifestas: imoralidade sexual, impureza e libertinagem; 20 idolatria e feitiçaria; ódio, discórdia, ciúmes, ira, egoísmo, dissensões, facções 21 e inveja; embriaguez, orgias e coisas semelhantes. Eu os advirto, como antes já os adverti, que os que praticam essas coisas não herdarão o Reino de Deus. 22 Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. 24 Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos. 25 Se vivemos pelo Espírito, andemos também pelo Espírito. (Gálatas 5.13-25)

5 – A Realidade Política de Nosso País Confronta Nossa Postura Cristã
Me entristeço por saber que o PT ficou 14 anos no governo, afundou o país numa crise, enviou dinheiro para Venezuela, Cuba e outros países enquanto pessoas aqui morreram na fila do SUS ou por falta de atendimento ou remédios. Sinto repulsa ao saber que o PT entregou através do projeto “Minha Casa, Minha Vida”, casas sem fiação para luz, algumas sem água. Apartamentos que hoje estão correndo o risco de cair. Construções todas mal feitas, com material de baixíssima qualidade, colocando a vida dos cidadãos em perigo. O Lulismo investiu o meu e o seu dinheiro em outros países e acabaram com a economia do Brasil, gerando a maior crise de desemprego já vista dos últimos anos. E agora jogam a culpa nos dois últimos anos do governo Temer, não assumem o que fazem. Mentem descaradamente.
Me assusto ao ver que têm cristãos desejando que eles voltem ao poder como se fossem fazer algo diferente do que já fizerem e defendem estes homens como se eles não merecessem a cadeia; penso que somente assim a maldade deles podem ser freada.
Me envergonho de saber que políticos dos mais diversos escalões e partidos estão afundados na corrupção da Lava-Jato.
Contudo me enojo ao saber que Bolsonaro foi capaz de dizer a deputada Maria do Rosário “não te estupro porque você não merece”. Palavras desnecessárias e agressivas. Não concordo com Bolsonaro ao dizer que pretende “fazer guerra para acabar com a guerra”. Matar vidas não é o caminho. Não se paga mal com mal. Temos que nos chocar quando Bolsonaro diz “o problema da ditadura é que torturou e não matou, poderia ter matado mais”. Bolsonaro trata a vida como se a mesma não tivesse valor algum. Sei que suas palavras são direcionadas a pessoas que não merecem nossa compaixão, mas elas são alvos do amor de Deus e devemos amá-las.
E nós igreja? Como estamos reagindo diante a política de nossos dias? Perdemos o bom senso. Perdemos a santidade. Perdemos a capacidade de pensar e ver a realidade. Precisamos de profetas que abra nossos olhos, pois vemos, mas não enxergamos. Ouvimos, mas não escutamos. O mal tem se apoderado de nossa sociedade. E sem percebermos estamos sendo dominados por este sentimento de ódio, e começamos a nos tornar cegos a ponto de não vermos o mal. E o pior é que nos associamos com aqueles que praticam o mal.
14 Não se ponham em jugo desigual com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? (2 Coríntios 6.14)
Não posso aceitar que uma pessoa esfaqueie outra por não concordar com sua posição como foi feito com Jair Bolsonaro. Não concordo com Aécio Neves que recebeu dinheiro dos irmãos da JBS. Não consigo aceitar que o juiz Gilmar Mendes solte todos os políticos que foram presos. Não posso aceitar que seja normal homofobia, violência contra a mulher, contra a criança, ideologia de gênero, trabalho escravo, xenofobia, etc. Não posso me associar aos que tais coisas praticam, pois estão contra a agenda de Deus. Devo amá-los, mas não me associar as suas práticas.
Vivemos em meio a uma corrupção generalizada e ficamos defendendo com fervor partidos e homens com suas ideologias que não tem compromisso algum com Deus, como se um deles fosse bom, e desejasse realmente fazer o bem. Dessa forma apenas nos dividimos e não é assim que devemos fazer política.
36 Disse Jesus: "O meu Reino não é deste mundo. Se fosse, os meus servos lutariam para impedir que os judeus me prendessem. Mas agora o meu Reino não é daqui". (João 18.36)
Nós somos implantadores da política do Reino de Deus. Nós somos embaixadores do Reino de Deus. O Reino de Deus se estende além deste mundo e de suas ideologias.
33 E contou-lhes ainda outra parábola: "O Reino dos céus é como o fermento que uma mulher tomou e misturou com uma grande quantidade de farinha, e toda a massa ficou fermentada". (Mateus 13.33)
Nós somos o fermento que precisa fermentar a massa. Eu e você devemos fazer política sem nos comprometermos com partidos e suas ideologias; nosso compromisso é unicamente com Jesus. Devemos fazer política fazendo o bem sem nos importarmos com a bandeira política que se carrega. Temos que entrar em cada estrutura social e política de nosso país, comprometidos unicamente em estender o Reino de Deus a cada cidadão brasileiro. Somos politicamente espirituais quando nos comprometemos somente com o Reino de Deus e com a agenda de Deus; não com a agenda de homens.

6 – Exercer Política é Exercer Espiritualidade
Muitos cristãos acreditam que o Estado não deve interferir na vida da igreja e nem a igreja deve interferir nas decisões do Estado.
A alienação do cristão na vida pública tem sua origem nos anabatistas (nossos pais da fé). Eles eram contrários a qualquer participação dos cristãos na vida política. Eles defendiam que este mundo não é o nosso mundo, portanto deixe o mundo se acabar e vamos para a terra celestial que nos foi prometida. Vamos evangelizar almas, mas não vamos nos envolver com a sociedade e com sua vida política.
Os reformadores do século XVI ao contrário defendiam que os homens deveriam participar da construção histórica da humanidade. Para os reformadores todo cristão tem sim uma responsabilidade com a sociedade em que viviam. Essa visão os levou a construir escolas, faculdades e hospitais em todos os lugares onde levavam o evangelho de Jesus Cristo. O que a bíblia diz?
8 "Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados.
9 Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados". (Provérbios 31.8,9)
Isso é fazer política. Isso é buscar justiça por àqueles que não têm força política como cidadão para pedir por justiça. Somos chamados para clamar pelos oprimidos.
Em todo Antigo Testamento encontramos o povo de Deus envolvido na política. Davi e Salomão eram reis e governavam sobre Israel. Os profetas interferiam constantemente nas decisões dos reis. Daniel era conselheiro real.
No Novo Testamento, no período Bíblico, os homens e mulheres de Deus não ocuparam cargos políticos, mas influenciavam o seu tempo com os ensinos de Jesus e com sua forma prática de viverem o Evangelho. Por exemplo: O apóstolo Paulo na prisão conhece Onésimo um escravo fugitivo. Paulo pede para Filemom, um cristão que também havia sido evangelizado por ele, e que porventura era o senhor de Onésimo, receber seu escravo, como quem recebe a um irmão em Cristo.
Embora Paulo não escreveu diretamente que era contra a escravidão, ele mostra que em Cristo todos somos irmãos e devemos cumprir nossos deveres uns aos outros como irmãos. Onésimo deveria voltar e cumprir seu trabalho para com o irmão Filemom, que por sua vez deveria tratá-lo como um irmão e não mais como um escravo.
Esse é um ótimo modelo do cristianismo penetrando na estrutura pecaminosa social e provocando mudanças, como fermento na massa. Essa é uma ação politicamente espiritual.
Paulo não mudou leis, mas mudou a disposição do coração de Onésimo e Filemom, que agora em Cristo compreendiam a nova realidade a que pertenciam.
Portanto política e espiritualidade não são contraditórias. Como cristão todas minhas ações e falas devem manifestar a glória de Deus. Não separo cidadania da vida espiritual. Ao exercer minha cidadania eu faço como um ato de espiritualidade. Sou cidadão do Reino de Deus vivendo no reino dos homens, com o fim de influenciar o reino dos homens com os valores do Reino de Deus.

Vídeo: Deltan Dallagnol

Conclusão: Que você possa por meio de seu trabalho, influenciando seus amigos e familiares, fazer com que o Reino de Deus com seus princípios e valores penetre em todas as estruturas sociais que estiver ao seu alcance. Seja um agente de Deus onde estiver. Seja o fermento do Reino para transformar o mundo que está ao seu alcance. Deus te abençoe.

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
07/10/2018

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