Translate

terça-feira, 18 de setembro de 2018

SERMÕES 43 - A CULTURA E A IGREJA: FIRMANDO CONVICÇÕES


A CULTURA E A IGREJA: FIRMANDO CONVICÇÕES

Objetivo: Mostrar que somos chamados a vivermos sob a direção de Jesus Cristo e não da cultura emergente.

6 Portanto, assim como vocês receberam a Cristo Jesus, o Senhor, continuem a viver nele, 7 enraizados e edificados nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão. 8 Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. (Colossenses 2.6-8)


1 – A IGREJA DE COLOSSOS AFRONTADA PELA CULTURA
A igreja de Colossos estava sendo afrontada pela cultura emergente de seus dias.
No texto que lemos o apóstolo Paulo está incentivando os irmãos de Colossos a viverem em Cristo. Paulo os instiga a permanecerem firmes na fé, pois sabia que eles estavam sendo alvejados com falsas doutrinas a respeito de Cristo Jesus, chamadas pelo apóstolo de “filosofias vãs e enganosas”, conforme lemos no verso oito.
Ao mesmo tempo, que Paulo os incentiva a permanecerem firmes na fé, ele também os exorta a terem cuidado. Mas por que há necessidade de cuidado? Porque estava surgindo na igreja de Colossos um ensino perigoso e falso, sustentado por filosofias vãs e enganosas. Era o surgimento de um gnosticismo cristianizado. Na verdade era uma mistura de gnosticismo, ascetismo, judaismo e cristianismo. Essa nova filosofia estava fundamentada nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.
Tradições humanas (par£dosij anqrwpoj – paradosis anthrōpos) – Se refere à Lei de Moisés. Influenciados pelos judaizantes estes defendiam que se cumprissem a Lei de Moisés. O sacrifício de Cristo na cruz não era suficiente. Estes são os legalistas que tentam alcançar a salvação através de suas obras. Acreditam que precisam merecer a salvação.
Princípios elementares deste mundo (stoixeion – stoicheion = rudimentos) – Se refere aos elementos da natureza (terra, água, fogo e ar), ao poder cósmico, os astros.
Os gnósticos acreditavam que Jesus nunca tinha existido como homem em carne. Defendiam a ideia de que Jesus viveu entre nós emanado, desta forma não teria morrido, pois não era homem de fato, segundo esta teoria. Era inconcebível Jesus ser Deus e homem ao mesmo tempo, pois o perfeito não pode habitar num corpo imperfeito, segundo eles.
Os ascéticos acreditavam que a graça não era suficiente para salvação, por isso ela deveria ser acompanhada de abstenções de prazeres, dietas rigorosas e castigos físicos. A matéria é má e deve ser destruída para alcançarmos a pureza.
A mistura destas filosofias com as leis judaicas estava propiciando o surgimento de uma nova doutrina onde se acreditava que para o homem alcançar a salvação era necessário a ajuda dos astros, do poder cósmico, dos elementos da natureza, além do sacrifício de Cristo.
Esse grupo estava implantando uma nova cultura, uma cultura que emergia da fusão de tradições humanas e rudimentos do mundo, e essa nova cultura afrontava a Igreja de Cristo, porque destruía os pilares da fé. Nós cristãos cremos que Jesus Cristo, Filho de Deus, nasceu da virgem Maria, habitou entre nós em carne, morreu e ressuscitou ao terceiro dia. Nós cristãos cremos que a morte de Cristo, seu sacrifício na cruz, foi e é suficiente para nossa salvação.

2 – A IGREJA ATUAL AFRONTADA PELA CULTURA
8 Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. (Colossenses 2.8)
Assim como a Igreja de Colossos, nós também hoje corremos o risco de sermos escravizados por filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.
Viemos de uma era chamada “modernidade”. Durante a modernidade a razão se tornou a base da construção de toda sociedade – herança do iluminismo. Tudo tinha que ser explicado pela razão, comprovado cientificamente. A era “Scoobdu” estava implantada, a caça ao sobrenatural estava liberada. A razão provaria que tudo tinha uma explicação, fantasmas só existiam na imaginação. O filósofo alemão, Friedrich Nietzsche, declarou: “Deus está morto”.
Durante a modernidade acreditava-se que o mundo melhoraria, pois o conhecimento levaria o homem a se respeitar. Entretanto a modernidade promoveu duas guerras mundiais, provando que a paz não seria alcançada pelo conhecimento. Isso gerou uma frustração na sociedade.
Um novo movimento se iniciou, para muitos ele ainda não está bem estabelecido, mas tem sido chamado de “pós-modernidade”. Em resposta ao fracasso da modernidade em levar a humanidade à paz pela razão, esta nova era surge dando ênfase ao místico, ao sobrenatural. As pessoas agora creem em tudo, estão abertas a quaisquer experiências com o fim único de se sentirem bem. A frase mais comum e predominante neste novo tempo é “o que importa é ser feliz”. Em nome dessa felicidade os valores familiares foram jogados no lixo, o amor ao próximo foi mudado para respeito, ou talvez tolerância ao próximo. Não existe amor quando não há sacrifício pela salvação do outro. Em nome do respeito eu aceito que pessoas cegas caminhem para a morte sem nada fazer, isso se chama omissão; não amor. Aceitar todas as religiões é abrir mão de amar. O cristianismo não é o evangelho da pluralidade, do relativismo, pois Cristo afirma ser Deus e afirma ser o único caminho, a única verdade, a única vida, pois fora Dele nada existe e nada se mantém.
Em busca da felicidade própria, eu me tranco em mim mesmo e passo a enxergar o mundo a partir de meu umbigo. Trabalho para mim mesmo. Acredito que todas as pessoas vivem para me agradar e me ajudar a alcançar a minha felicidade. Cada um vivendo assim colabora para a construção de um mundo infeliz, pois todos vivem a espera que o outro estenda a mão, que o outro perdoe, que o outro se de mal no vestibular ou na entrevista de trabalho para que nós possamos nos dar bem. Nos esquecemos ou talvez nunca compreendemos que a felicidade é um bem comum, experimentado na comunidade e não na individualidade. Ela não pertence a mim ou a você. Nos tornamos felizes quando todos estão sendo cuidados, olhados e ouvidos. Não tenho como ser feliz sozinho.
Em busca da felicidade me torno presa fácil da idolatria ao corpo. Acho que este não é o meu problema. Pessoas gastam horas e mais horas de suas vidas para esculpirem um corpo perfeito, mas não gastam horas para esculpirem uma vida espiritual perfeita. Algumas colocam suas vidas em risco se submetendo a cirurgias para esculpirem o corpo. Outras se tornam presas do materialismo. Querem ter tudo que é de melhor e sacrificam suas vidas e a vida de seus filhos para alcançarem o padrão de sucesso vendido pela sociedade consumista e egoísta. No fim nos tornamos escravos de um sistema idólatra aos antigos deuses Afrodite, Apolo, Moloque e Mamom em versões atualizadas.   

3 – COMO RESPONDER O AFRONTAMENTO DA CULTURA EM NOSSOS DIAS?
A resposta para esta pergunta se encontra no verso sete de nosso texto.
7 enraizados e edificados nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando de gratidão. (Colossenses 2.7)
Paulo emprega três palavras para descrever como os irmãos de colossos deveriam continuar a viver em Cristo, mesmo em meio a nova cultura gnóstica que surgia na cidade e no meio da igreja. Acredito que esta seja a resposta para nós também hoje diante a cultura emergente que se levanta em oposição a nossa fé.
·        Enraizados – Uma metáfora onde o cristão é visto como uma árvore plantada junto a correntes de águas. O verbo está no particípio indicando uma ação completa. Os irmãos de Colossos foram arraigados, entranhados em Cristo e deveriam assim viver. A vida de Cristo deveria fluir através deles.
·        Edificados – Temos aqui outra metáfora onde a igreja é vista como uma casa ou edifício. Ela estava construída sobre a Rocha que é Jesus Cristo. Portanto eles eram fortes para resistir a todas as circunstâncias negativas que lhes sobreviessem.
·        Firmados – (bebaiÒw - bebaioō) A ideia desta palavra é estabilizado. Uma vida confirmada pela estabilidade. Um cristão não deve balançar diante ventos de doutrinas ou circunstancias negativas. Se você está enraizado com Cristo, crescendo como um prédio em Cristo, não pode ser abalado. Sua fé tem quer permanecer firme, estável.
O texto nos diz que os irmãos de Colossos se encontravam enraizados, edificados e firmados na fé porque haviam sido ensinados – “como foram ensinados”.
·        Foram Ensinados – (ddaskw - didaskō) O verbo está na forma expandida, trazendo a ideia de “causa”. Eles estão enraizados, edificados e estáveis na fé porque foram ensinados.
O que isso quer dizer na prática?
A cultura nos impõe posicionamento. Constantemente ela nos leva a uma bifurcação onde precisamos dizer através de uma escolha se realmente somos discípulos de Cristo. Não existem dois caminhos, só Cristo é o caminho.
A insegurança, o medo da rejeição e ansiedade nos leva a aceitarmos ou fazermos vistas grossas aos valores da cultura emergente que agridem o Evangelho de Jesus Cristo. Nestes momentos nos tornamos fragilizados e acabamos nos aliançando com princípios e valores que desagradam a Deus. Aceitamos ofertas profissionais e financeiras desonestas, cedemos a vontade do grupo de amigos ou da(o) namorada(o) mesmo sabendo que o que nos pedem é errado.
Mas o que aprendo neste texto é que vencemos a cultura se permanecermos enraizados em Cristo, entranhados Nele. Se deixarmos sua vida fluir por meio de nós. Se ao depararmos com bifurcações em nossa caminhada escolhermos o caminho que devemos seguir a partir dos valores e princípios de Deus e não dos valores e princípios ditados pela cultura emergente.
Vencemos as filosofias vãs se continuarmos edificados e edificando outros sobre a Rocha que é Cristo. Precisamos reconhecer que temos que continuar crescendo em Cristo, permitindo que seu Espírito nos ensine e nos molde a sermos como Ele. Ao mesmo tempo permitindo que mais vidas sejam postas sobre nós e ao nosso lado, para que o edifício continue crescendo. Eu sou só um tijolo, e Cristo que colocar mais tijolos nessa edificação. Cada tijolo que eu abraçar nessa caminhada fará com que a cultura emergente perca força sobre mais uma vida. Cada vida ganha por Cristo, por meio de mim, tornar a cultura mais fragilizada, pois é mais um que não viverá sob sua tutela, mas sob a nova direção de Cristo Jesus.
Quando nos encontramos firmados em Cristo, não nos deixamos abater pela incerteza de quem irá assumir o governo do nosso país. Vivemos na esperança, porque nossa esperança transcende este plano de vida. Não importa se seremos perseguidos, trancados em cadeias ou mesmo assassinados em praça pública, porque nem a morte nem a vida podem nos separar do amor de Deus. Quando nossa fé é consolidada e estável, não fugimos da luta do dia a dia, não fugimos do bom combate, porque sabemos que é com este propósito que aqui estamos.
Mas aprendo nestes versos também que Paulo não pediu para que eles tentassem impor os ensinos de Cristo a cidade de Colossos. Não podemos impor as pessoas os valores do Reino de Deus. Não podemos impor as pessoas que aceitem o que cremos e defendemos. Jesus não impôs a ninguém os valores do Reino. Ele convidava as pessoas a segui-lo. A escolha estava nas mãos de cada individuo. Ele chamou homens e mulheres, mas não os obrigou a segui-lo.
Tem pessoas evangélicas com uma teologia xiita que querem impor o Evangelho. Querem obrigar as pessoas a viverem os princípios de Deus. Jesus nunca ensinou isso. Deus não espera que a gente domine o país colocando homens que se dizem “cristãos” na presidência, no senado, no congresso para fazerem leis que obriguem as pessoas a viverem o cristianismo, sem desejarem viver.
A igreja perdeu sua identidade exatamente quando fez isso através do imperador Constantino. Essa é uma cultura do islamismo. Os mulçumanos é que obrigam as pessoas a viverem sob sua lei. Nós somos uma comunidade de discípulos que vivem em um mundo que não é regido pelos valores e princípios de Deus, entretanto somos chamados a vivermos em meio as trevas, sendo luz. Nós cristãos, seguidores de Cristo, somos chamados para vivermos os princípios e valores do Reino de Deus e não os não-cristãos. Nossa missão é anunciar o Evangelho de Cristo e não impor o Evangelho de Cristo goela a baixo em cada cidadão de nosso país.
A mudança que desejamos em nosso país, ela deve começar por mim e por você. Ela deve acontecer a partir da conversão de indivíduos que ao conhecerem Cristo abandonam a ganância, o jeitinho brasileiro de negociar, de fazer de conta que não viu o erro do outro, de ser omisso quando chamado a se posicionar. É dessa forma que o Brasil precisa ser alcançado por nós, e não através da imposição de alguns xiitas evangélicos.
Nós anunciamos o amor de Deus e o amor não pode ser imposto. Não é por força nem por violência, mas pelo Espírito de Deus.
Não temos que entrar em briga com LGBT, e outros grupos que não aceitam os princípios e valores do Reino de Deus. Somos chamados a amá-los. Não somos chamados para atacá-los, para bater de frente com eles. Não devemos buscar justiça própria. Deus é nosso justo juiz. Não podemos excluir pessoas que não aceitam nossa fé, que não pensam como nós, pois essa é parte da nossa missão. Sermos sal e luz. Temos que entrar na cultura e transformá-la e não nos conformar com a cultura, não podemos ser moldados por ela. Ao mesmo tempo em que não luto com armas carnais, eu me posiciono em amor a Cristo e ao meu próximo.
Vivemos numa sociedade pluralista onde não posso impor a força meus valores e princípios, não posso forçar ninguém a ser cristão, mas tenho o direito e o dever de defender meus valores e princípios. Não posso me calar. Vou discordar quando for preciso ainda que não me aceitem. Tenho a obrigação de me posicionar, pois o meu Deus está acima da cultura, acima de todos os valores e princípios estabelecidos pelos homens. Tenho que me posicionar, pois as pessoas que estão ao me redor necessitam de alguém que lhes mostre o caminho.
Se você não se posicionar aqueles que te cercam não terão como conhecer outro caminho, o caminho de Deus. Por que você é o porta-voz de Deus neste mundo. Você é o colaborador da construção do Reino de Deus neste tempo. Você é aquele a quem Deus escolheu para transformar este mundo, este Brasil e esta cidade.  Que você permaneça enraizado, edificado e firmado na fé para que todos saibam que é Deus. Deus te abençoe.

Pr. Cornélio Póvoa de Oliveira
16/09/2018

Nenhum comentário:

Postar um comentário