A CULTURA E A IGREJA: FIRMANDO CONVICÇÕES
Objetivo:
Mostrar
que somos chamados a vivermos sob a direção de Jesus Cristo e não da cultura
emergente.
6 Portanto, assim como vocês receberam a Cristo Jesus, o
Senhor, continuem a viver nele, 7 enraizados e edificados nele, firmados na fé, como foram
ensinados, transbordando de gratidão. 8 Tenham cuidado para que ninguém os escravize a
filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos
princípios elementares deste mundo, e não em Cristo. (Colossenses
2.6-8)
1 – A IGREJA DE COLOSSOS AFRONTADA PELA
CULTURA
A igreja de
Colossos estava sendo afrontada pela cultura emergente de seus dias.
No texto que lemos o apóstolo Paulo está incentivando os
irmãos de Colossos a viverem em Cristo. Paulo os instiga a permanecerem firmes
na fé, pois sabia que eles estavam sendo alvejados com falsas doutrinas a
respeito de Cristo Jesus, chamadas pelo apóstolo de “filosofias vãs e
enganosas”, conforme lemos no verso oito.
Ao mesmo tempo,
que Paulo os incentiva a permanecerem firmes na fé, ele também os exorta a
terem cuidado. Mas por que há necessidade de cuidado? Porque estava surgindo na
igreja de Colossos um ensino perigoso e falso, sustentado por filosofias vãs e
enganosas. Era o surgimento de
um gnosticismo cristianizado. Na verdade era uma mistura de gnosticismo,
ascetismo, judaismo e cristianismo. Essa nova filosofia estava fundamentada nas
tradições humanas e nos princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.
Tradições
humanas
(par£dosij anqrwpoj – paradosis anthrōpos) – Se refere à Lei de Moisés.
Influenciados pelos judaizantes estes defendiam que se cumprissem a Lei de
Moisés. O sacrifício de Cristo na cruz não era suficiente. Estes são os
legalistas que tentam alcançar a salvação através de suas obras. Acreditam que
precisam merecer a salvação.
Princípios
elementares deste mundo (stoixeion – stoicheion =
rudimentos) – Se refere
aos elementos da natureza (terra, água, fogo e ar), ao poder cósmico, os astros.
Os gnósticos acreditavam que Jesus nunca tinha existido
como homem em carne. Defendiam a ideia de que Jesus viveu entre nós emanado,
desta forma não teria morrido, pois não era homem de fato, segundo esta teoria.
Era inconcebível
Jesus ser Deus e homem ao
mesmo tempo, pois o perfeito não pode habitar num corpo imperfeito, segundo
eles.
Os ascéticos acreditavam que a graça não era suficiente
para salvação, por isso ela deveria ser acompanhada de abstenções de prazeres,
dietas rigorosas e castigos físicos. A matéria é má e deve ser destruída para
alcançarmos a pureza.
A mistura destas
filosofias com as leis judaicas estava propiciando o surgimento de uma nova
doutrina onde se acreditava que para o homem alcançar a salvação era necessário
a ajuda dos astros, do poder cósmico, dos elementos da natureza, além do
sacrifício de Cristo.
Esse grupo estava implantando uma nova cultura, uma cultura
que emergia da fusão de tradições humanas e rudimentos do mundo, e essa nova
cultura afrontava a Igreja de Cristo, porque destruía os pilares da fé. Nós cristãos
cremos que Jesus Cristo, Filho de Deus, nasceu da virgem Maria, habitou entre
nós em carne, morreu e ressuscitou ao terceiro dia. Nós cristãos cremos que a
morte de Cristo, seu sacrifício na cruz, foi e é suficiente para nossa salvação.
2 – A IGREJA ATUAL AFRONTADA PELA CULTURA
8 Tenham cuidado para que ninguém os escravize a filosofias vãs
e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos princípios
elementares deste mundo, e não em Cristo. (Colossenses
2.8)
Assim como a
Igreja de Colossos, nós também hoje corremos o risco de sermos escravizados por
filosofias vãs e enganosas, que se fundamentam nas tradições humanas e nos
princípios elementares deste mundo, e não em Cristo.
Viemos de uma era
chamada “modernidade”. Durante a modernidade a razão se tornou a base da
construção de toda sociedade – herança do iluminismo. Tudo tinha que ser
explicado pela razão, comprovado cientificamente. A era “Scoobdu” estava
implantada, a caça ao sobrenatural estava liberada. A razão provaria que tudo
tinha uma explicação, fantasmas só existiam na imaginação. O filósofo alemão, Friedrich
Nietzsche, declarou: “Deus está morto”.
Durante a
modernidade acreditava-se que o mundo melhoraria, pois o conhecimento levaria o
homem a se respeitar. Entretanto a modernidade promoveu duas guerras mundiais,
provando que a paz não seria alcançada pelo conhecimento. Isso gerou uma
frustração na sociedade.
Um novo movimento
se iniciou, para muitos ele ainda não está bem estabelecido, mas tem sido
chamado de “pós-modernidade”. Em resposta ao fracasso da modernidade em levar a
humanidade à paz pela razão, esta nova era surge dando ênfase ao místico, ao
sobrenatural. As pessoas agora creem em tudo, estão abertas a
quaisquer experiências com o fim único de se sentirem bem. A frase mais comum e
predominante neste novo tempo é “o que importa é ser feliz”. Em nome dessa felicidade os valores
familiares foram jogados no lixo, o amor ao próximo foi mudado para respeito,
ou talvez tolerância ao próximo.
Não existe amor quando não há sacrifício pela salvação do outro. Em nome do
respeito eu aceito que pessoas cegas caminhem para a morte sem nada fazer, isso
se chama omissão; não amor. Aceitar todas as religiões é abrir mão de amar. O cristianismo não é o
evangelho da pluralidade, do relativismo, pois Cristo afirma ser Deus e afirma
ser o único caminho, a única verdade, a única vida, pois fora Dele nada existe
e nada se mantém.
Em busca da
felicidade própria, eu me tranco em mim mesmo e passo a enxergar o mundo a
partir de meu umbigo. Trabalho para mim mesmo. Acredito que todas as pessoas
vivem para me agradar e me ajudar a alcançar a minha felicidade. Cada um
vivendo assim colabora para a construção de um mundo infeliz, pois todos vivem
a espera que o outro estenda a mão, que o outro perdoe, que o outro se de mal
no vestibular ou na entrevista de trabalho para que nós possamos nos dar bem. Nos esquecemos ou talvez
nunca compreendemos que a felicidade é um bem comum, experimentado na
comunidade e não na individualidade. Ela não pertence a mim ou a você. Nos
tornamos felizes quando todos estão sendo cuidados, olhados e ouvidos. Não
tenho como ser feliz sozinho.
Em busca da felicidade me torno presa fácil da
idolatria ao corpo. Acho que este não é o meu problema. Pessoas gastam horas e
mais horas de suas vidas para esculpirem um corpo perfeito, mas não gastam
horas para esculpirem uma vida espiritual perfeita. Algumas colocam suas vidas
em risco se submetendo a cirurgias para esculpirem o corpo. Outras se tornam
presas do materialismo. Querem ter tudo que é de melhor e sacrificam suas vidas
e a vida de seus filhos para alcançarem o padrão de sucesso vendido pela
sociedade consumista e egoísta. No fim nos tornamos escravos de um sistema
idólatra aos antigos deuses Afrodite, Apolo, Moloque e Mamom em versões
atualizadas.
3 – COMO RESPONDER O AFRONTAMENTO DA
CULTURA EM NOSSOS DIAS?
A resposta para esta pergunta se
encontra no verso sete de nosso texto.
7 enraizados e edificados nele, firmados na fé, como foram
ensinados, transbordando de gratidão. (Colossenses
2.7)
Paulo emprega três palavras para
descrever como os irmãos de colossos deveriam continuar a viver em Cristo,
mesmo em meio a nova cultura gnóstica que surgia na cidade e no meio da igreja.
Acredito que esta seja a resposta para nós também hoje diante a cultura
emergente que se levanta em oposição a nossa fé.
·
Enraizados – Uma metáfora onde o cristão é visto como uma árvore plantada
junto a correntes de águas. O verbo está no particípio indicando uma ação
completa. Os irmãos de Colossos foram arraigados, entranhados em Cristo e
deveriam assim viver. A vida de Cristo deveria fluir através deles.
·
Edificados – Temos aqui outra metáfora onde a igreja é vista como uma
casa ou edifício. Ela estava construída sobre a Rocha que é Jesus Cristo.
Portanto eles eram fortes para resistir a todas as circunstâncias negativas que
lhes sobreviessem.
·
Firmados – (bebaiÒw - bebaioō) A ideia desta palavra é estabilizado.
Uma vida confirmada pela estabilidade. Um cristão não deve balançar diante
ventos de doutrinas ou circunstancias negativas. Se você está enraizado com
Cristo, crescendo como um prédio em Cristo, não pode ser abalado. Sua fé tem quer
permanecer firme, estável.
O texto nos diz que
os irmãos de Colossos se encontravam enraizados, edificados e firmados na fé
porque haviam sido ensinados – “como foram ensinados”.
·
Foram Ensinados – (d…daskw - didaskō) O verbo está na forma expandida, trazendo a ideia
de “causa”. Eles estão enraizados, edificados e estáveis na fé porque foram
ensinados.
O que isso quer dizer na prática?
A cultura nos impõe posicionamento. Constantemente ela nos
leva a uma bifurcação onde precisamos dizer através de uma escolha se realmente
somos discípulos de Cristo. Não existem dois caminhos, só Cristo é o caminho.
A insegurança, o medo da rejeição e ansiedade nos leva a
aceitarmos ou fazermos vistas grossas aos valores da cultura emergente que
agridem o Evangelho de Jesus Cristo. Nestes momentos nos tornamos fragilizados
e acabamos nos aliançando com princípios e valores que desagradam a Deus.
Aceitamos ofertas profissionais e financeiras desonestas, cedemos a vontade do
grupo de amigos ou da(o) namorada(o) mesmo sabendo que o que nos pedem é errado.
Mas o que aprendo neste texto é que vencemos a cultura se
permanecermos enraizados em Cristo, entranhados Nele. Se deixarmos sua vida
fluir por meio de nós. Se ao depararmos com bifurcações em nossa caminhada
escolhermos o caminho que devemos seguir a partir dos valores e princípios de
Deus e não dos valores e princípios ditados pela cultura emergente.
Vencemos as filosofias vãs se continuarmos edificados e
edificando outros sobre a Rocha que é Cristo. Precisamos reconhecer que temos
que continuar crescendo em Cristo, permitindo que seu Espírito nos ensine e nos
molde a sermos como Ele. Ao mesmo tempo permitindo que mais vidas
sejam postas sobre nós e ao nosso lado, para que o edifício continue crescendo.
Eu sou só um tijolo, e Cristo que colocar mais tijolos nessa edificação. Cada tijolo que eu abraçar nessa
caminhada fará com que a cultura emergente perca força sobre mais uma vida.
Cada vida ganha por Cristo, por meio de mim, tornar a cultura mais fragilizada,
pois é mais um que não viverá sob sua tutela, mas sob a nova direção de Cristo
Jesus.
Quando nos
encontramos firmados em Cristo, não nos deixamos abater pela incerteza de quem
irá assumir o governo do nosso país. Vivemos na esperança, porque nossa
esperança transcende este plano de vida. Não importa se seremos perseguidos, trancados em cadeias
ou mesmo assassinados em praça pública, porque nem a morte nem a vida podem nos
separar do amor de Deus. Quando nossa fé é consolidada e estável, não fugimos
da luta do dia a dia, não fugimos do bom combate, porque sabemos que é com este
propósito que aqui estamos.
Mas aprendo nestes versos também que Paulo não pediu para
que eles tentassem impor os ensinos de Cristo a cidade de Colossos. Não podemos
impor as pessoas os valores do Reino de Deus. Não podemos impor as pessoas que
aceitem o que cremos e defendemos. Jesus não impôs a ninguém os valores do
Reino. Ele convidava as pessoas a segui-lo. A escolha estava nas mãos de cada
individuo. Ele chamou homens e mulheres, mas não os obrigou a segui-lo.
Tem pessoas evangélicas com uma teologia xiita que querem
impor o Evangelho. Querem obrigar as pessoas a viverem os princípios de Deus.
Jesus nunca ensinou isso.
Deus não espera que a gente domine o país colocando homens que se dizem
“cristãos” na presidência, no senado, no congresso para fazerem leis que
obriguem as pessoas a viverem o cristianismo, sem desejarem viver.
A igreja perdeu sua identidade exatamente quando fez isso
através do imperador Constantino. Essa é uma cultura do islamismo. Os
mulçumanos é que obrigam as pessoas a viverem sob sua lei. Nós somos uma comunidade de
discípulos que vivem em um mundo que não é regido pelos valores e princípios de
Deus, entretanto somos chamados a vivermos em meio as trevas, sendo luz. Nós
cristãos, seguidores de Cristo, somos chamados para vivermos os princípios e
valores do Reino de Deus e não os não-cristãos. Nossa missão é anunciar o Evangelho de Cristo e
não impor o Evangelho de Cristo goela a baixo em cada cidadão de nosso país.
A mudança que desejamos em nosso país, ela deve começar por
mim e por você. Ela deve acontecer a partir da conversão de indivíduos que ao
conhecerem Cristo abandonam a ganância, o jeitinho brasileiro de negociar, de
fazer de conta que não viu o erro do outro, de ser omisso quando chamado a se
posicionar.
É dessa forma que o Brasil precisa ser alcançado por nós, e não através da
imposição de alguns xiitas evangélicos.
Nós anunciamos o amor de Deus e o amor não pode ser
imposto. Não é por força nem por violência, mas pelo Espírito de Deus.
Não temos que entrar em briga com LGBT, e outros grupos que
não aceitam os princípios e valores do Reino de Deus. Somos chamados a amá-los.
Não somos chamados para atacá-los, para bater de frente com eles. Não devemos buscar justiça
própria. Deus é nosso justo juiz. Não podemos excluir pessoas que não aceitam
nossa fé, que não pensam como nós, pois essa é parte da nossa missão. Sermos
sal e luz. Temos que entrar na cultura e transformá-la e não nos
conformar com a cultura, não podemos ser moldados por ela. Ao mesmo tempo em
que não luto com armas carnais, eu me posiciono em amor a Cristo e ao meu
próximo.
Vivemos numa sociedade pluralista onde não posso impor a
força meus valores e princípios, não posso forçar ninguém a ser cristão, mas
tenho o direito e o dever de defender meus valores e princípios. Não posso me calar. Vou discordar
quando for preciso ainda que não me aceitem. Tenho a obrigação de me
posicionar, pois o meu Deus está acima da cultura, acima de todos os valores e
princípios estabelecidos pelos homens. Tenho que me posicionar, pois as pessoas que estão ao me
redor necessitam de alguém que lhes mostre o caminho.
Se você não se posicionar aqueles que te cercam não terão
como conhecer outro caminho, o caminho de Deus. Por que você é o porta-voz de
Deus neste mundo. Você é o colaborador da construção do Reino de Deus neste
tempo.
Você é aquele a quem Deus escolheu para transformar este mundo, este Brasil e
esta cidade. Que você permaneça
enraizado, edificado e firmado na fé para que todos saibam que é Deus. Deus te
abençoe.
Pr. Cornélio
Póvoa de Oliveira
16/09/2018
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